quarta-feira, 27 de maio de 2020

#passaapalavra: Nuno Vasco Lopes é treinador de kickboxing na ADF, consultor, investigador, professor universitário e diretor no Laboratório Nacional para a Transformação Digital.




JORNALdeFAFE: habilitações literárias e profissionais... 
NUNO VASCO LOPES: Eu sou um apaixonado pela vida. Adoro a minha família, os momentos de lazer com os amigos, fazer desporto e a minha profissão. Esta paixão pela vida desperta em mim uma vontade insaciável de procura por mais conhecimento e aquisição de novas experiências. Movido sempre pela paixão, tento conciliar a minha atividade desportiva de treinador de kickboxing com a atividade profissional de consultor, investigador, professor universitário e diretor no Laboratório Nacional para a Transformação Digital. Ao nível desportivo, comecei a praticar judo aos 6 anos, patinagem aos 9 anos, hóquei patins aos 10 anos, na escola secundária andei no curso de desporto dos 14 aos 18 anos e comecei a praticar kickboxing aos 23 anos. Ao nível académico, tirei o curso de Engenheiro Eletrotécnico, ramo da computação na UTAD, Erasmus na Universidade de Bristol, mestrado em Telecomunicações na Universidade de Vigo, doutoramento em Ciências da Computação na Universidade do Minho, pós-doutoramento em Internet das Coisas na Universidade de Coimbra e pós-doutoramento em Governação Eletrónica e Cidades Inteligentes na Universidade das Nações Unidas.


JORNALdeFAFE: Fafe tem tudo o que é preciso ou há áreas que merecem mais atenção para a qualidade de vida dos seus habitantes?
NUNO VASCO LOPES: As cidades que têm pouca atividade económica perdem os seus recursos humanos mais qualificados para os centros urbanos de maior atividade económica, que se deslocam à procura de melhores oportunidades de trabalho e condições para a criação da sua própria empresa, fenómeno conhecido como fuga de talentos para centros urbanos mais industriais e sustentáveis.  
A competitividade dos países, das cidades e das empresas, mede-se essencialmente pelo seu nível de desenvolvimento tecnológico. Os países mais desenvolvidos do mundo, e as empresas que lideram o mercado no seu sector, são também os mais desenvolvidos tecnologicamente. Quem não souber tirar partido das vantagens das tecnologias mais avançadas, vai certamente perder competitividade, enfraquecer a sua economia e colocar em causa a sua própria existência. Sendo, portanto, o desenvolvimento tecnológico um fator essencial para a competividade e crescimento económico das cidades e empresas, eu diria que esta é a área que nos merece maior atenção, por forma a garantirmos a sustentabilidade do tecido económico local.



JORNALdeFAFE: O que representa esta cidade para si? 
NUNO VASCO LOPES: Numa palavra, representa uma boa parte da minha identidade. É nesta terra que estão os meus familiares, muitos dos meus amigos, principalmente os de infância, os clubes onde pratiquei desporto, algumas instituições com quem trabalhei, onde iniciei a minha atividade associativa e política, onde estão alguns dos locais onde fui e sou muito feliz. Todas estas recordações fazem de mim o que eu sou e são uma parte muito importante da minha identidade. Quando me pedem para falar sobre mim é incontornável falar também sobre a minha terra. Em 2015, quando fundei a ADFcombate, fui movido por essa forte identidade de pertença à comunidade fafense. Hoje, tento trespassar aos meus atletas a importância dessa identidade e penso que tenho tido bastante sucesso nessa minha pretensão, vendo a forma como eles vestem a camisola ADFCombate. Sem que ganhem um tostão com isso, muito pelo contrário, participam ativamente em todas as atividades organizadas por nós ou em que somos convidados, nunca recusando um convite que seja.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

#passaapalavra: Paulo Matos é Produtor de Espéctaculos, Consultor, Agente e Management de artistas nacionais e internacionais, dirigente da Associação Humanitaria dos Bombeiros Voluntarios de Fafe. Nasceu no Porto, em 1977, e reside em Fafe.



Tenho o nono ano de escolaridade, frequentei a Escola Primária da Devesinha, o colégio Dão Diogo de Sousa, até ao 7 ano, e a escola secundaria de Fafe até ao 8 ano, depois completei o 9 ano na AEF. Anos maravilhosos, que recordo com muita saudade, desde os amigos de escola, os funcionários, os professores… que que em conjunto com os meus pais, me ajudaram a ser a pessoa que hoje sou.
Em 1993(com 16 anos) a 1996, com o objetivo de um dia puder ser “independente”, deixei os estudos por opção e fui trabalhar para a empresa do meu pai e do meu tio “Moveis Bruno” e em paralelo,já fazia as funções de músico, management, agenciamento, produtor de alguns espetáculos. Atividade que a partir de abril de 1997, comecei a desenvolver como profissional fixo, montando a minha própria marca.
Ao longo de todos estes anos, sinceramente não sei dizer a quantidade de concertos ou eventos que produzi, agenciei e participei. Diretamente, serão mais de 2500 (em território nacional (continente e ilhas) e território internacional) … Muitos mais serão… Tenho todos apontados, todos fixos na memória!Um dia faço a contabilidade global e mando escrever um livro, está na moda.
Sei que fiz ao volante o país de uma ponta à outra, não sei quantas vezes, mas foram muitas, mesmo muitas vezes…. Bons tempos!!! Algumas vezes, parava a meio para visitar. Outras, para poder apanhar o avião, fosse em Lisboa, ou fosse no Porto.Outras para ir parar no hospital, como aconteceu na semana académica dos Açores em 1997, num concerto com os Xutos & Pontapés, e em 2001 durante as festas do concelho de Fafe, muito stress, pouco descanso…  Vida de estrada!Só entende quem por lá passa. Houveram mais idas aos hospitais, mas estas já chegam para exemplificar…
Música, moda, teatro e televisão são as áreas onde atuei desde 1995, em muitas festas populares/religiosas pelo país, semanas académicas (Fafe, Figueira da Foz, Madeira, Açores, Vila Real, Coimbra, Minho, Lisboa, Almada, Oliveira do Hospital, Mirandela, entre muitas outras localidades do país), festas concelhias por todo país, digressões com vários artistas nacionais e internacionais.Foram a minha área de atuação ao longo da minha carreira profissional. Infelizmente agora está parada por obrigação do governo. Por causa desta pandemia devido ao corona vírus.Espero agora pelo futuro, para poder rapidamente dar continuidade aos vários projetos de estrada, que estava a liderar para o ano de 2020 e 2021…
É com muito orgulho que sou Diretor de Produção e Produtor dos espetáculos principais das festas do concelho de Fafe desde 1997.Embora como produtor faço as festas desde 1996. Por isso, quero deixar o meu agradecimentoà Associação Empresarial de Fafe, Rancho Folclórico de Fafe, Banda Faz de Conta, Empresa Municipal de Turismo, Naturfafe, Cofafe, Grupo Nun’Alvares, Município de Fafe, entidades que muito me ajudaram a crescer e que confiaram sempre no meu trabalho e nas equipes que dirigi. Sem eles o meu percurso nunca teria sido o mesmo.
A Semana Académica de Coimbra, o Natal dos Hospitais, os vários programas televisivos que produzi e agencie para a RTP, são marcos de uma carreira que é enorme e diversificada nas áreas dos eventos, com muitos espetáculos em Portugal Continental, Ilhas e pela Europa, junto das nossas comunidades.Muito trabalho e muita estrada! Tenho imenso orgulho e prazer de ter trabalhado e aprendido muito com técnicos excelentes, desde a montagem dos palcos, camarins, estruturas, geradores, backline, som, iluminação, vídeo, road managers, produtores.
Muitos foram os artistas que tive o privilégio de coordenar os seus concertos e espetáculos como: Luz Casal; The Waterboys; Boney M; Patrice; Gentleman; Ivete Sangalo;Fafá de Belém; Daniela Mercury; Calema; Pedro Abrunhosa; Amor Electro; Delfins; Quinta do Bill; Paulo de Carvalho; Simone de Oliveira; The Kelly Family; Toni Carreira; Paulo de Carvalho; Jorge Palma; Neguinho da Beija Flor; Mariza; Clã; Deolinda; Ana Moura; Xutos e Pontapés; Amistades Peligrosas; D´zrt; Harlem Gospel Choir; Aurea; The Gift; Marco Paulo; Mafalda Veiga; Alcoolémia; Moonspell; Peste & Sida; Liquido; Asher Lane; Gabriel o Pensador; Los del Rio; Orishas;Luís Represas; Fernando Pereira;  Os Malucos do Riso; Agir…  São alguns dos mais de 700 artistas com quem já trabalhei.
Quando iniciei esta atividade, consciente do desgaste, dizia que seria até aos 40 anos.Hoje perto de completar 43 anos, vivo o drama de toda a “malta” dos eventos, fomos os primeiros a parar e não sabemos quando poderemos regressar.

JORNALdeFAFE: FAFE TEM APOSTADO NA CULTURA?

quinta-feira, 14 de maio de 2020

#passaapalavra: Orlando Gomes Costa, 41 anos, licenciado em Gestão pela Universidade do Minho e com formação executiva na Universidade Católica Portuguesa em Motivação e Liderança.

JORNALdeFAFE: Habilitações literárias e profissionais... 

Orlando Gomes Costa: Orlando Gomes Costa, 41 anos, licenciado em Gestão pela Universidade do Minho e com formação executiva na Universidade Católica Portuguesa em Motivação e Liderança. Para além desta vertente académica, enveredei também em ganhar competências na área de PNL – Programação Neurolinguística (Life Training Academy), na área Desportiva como Treinador de Futebol certificado e Formador Certificado. Curiosidade em saber porquê? Porque acredito piamente que a gestão emocional e a liderança intelectual são os grandes pilares para os paradigmas de liderança actuais.  E quer a PNL, quer a gestão de balneários de desportos colectivos, dão grandes ensinamentos sobre como compreender o individuo em primeiro lugar e a gestão de egos e prioridades no colectivo em segundo lugar. A juntar a isso a optimização do processo de comunicação como um dos elementos cruciais para gerir expectativas, passar mensagens e compreender o outro.

Profissionalmente, tenho acumulado mais de 18 anos de experiência bancária, tendo trabalhado numa das maiores Instituições Bancárias em Portugal e Espanha (BPI / La Caixa), como responsável de áreas transversais, desde Marketing até a Sistemas de Informação e recentemente criado uma empresa tecnológica que presta serviços financeiros (nBanks), que visa promover transparência, liberdade de escolha na área bancária e eficiência operacional na gestão financeira para empresas.

JORNALdeFAFE: Fafe tem tudo o que é preciso ou há áreas que merecem mais atenção para a qualidade de vida dos seus habitantes?
Orlando Gomes Costa:  A nível de qualidade de vida e desde que satisfeitas as necessidades essenciais, Fafe tem tudo o que hoje é procurado por um cidadão comum. Tem paz social, boa rede rodoviária de fácil acesso (à cidade diga-se como é natural), boa rede de hipermercados (podendo ser um condicionalismo para o mercado tradicional), espaços verdes amplos, pouca especulação imobiliária e serviços de apoio ao cidadão que evitam que o próprio se tenha de deslocar para Braga ou outra capital de distrito  para tratar de assuntos cívicos. Sofre também de condicionalismos que qualquer outro município português sofre actualmente, o que se entende. Tem a meu ver o desafio grande de perceber o que fazer para promover maior atractividade de cidadãos não naturais de Fafe por um lado, e por outro lado reter os jovens Fafenses que tenham necessidade de procurar outras regiões para habitar, por falta de oportunidade para encontrar  saídas profissionais. Para além disso saber adaptar-se à mobilidade dos tempos modernos, estar atenta ao que é hoje exigido a cidades que pretendam estar em equilíbrio constante entre indústria e ambiente, entre o tradicional e o tecnológico, saber quais os grandes desafios para o tecido empresarial local, reduzir a dependência Administração Pública Local, criar condições para promover o empreendedorismo, alavancar o forte “cluster” industrial que hoje existe mas que tem a forte ameaça de estar dependente de grandes entidades como a Inditex e outras tantas áreas que merecem vigilância.


JORNALdeFAFE: O que representa esta cidade para si? 
Orlando Gomes Costa: Representa o crescimento da minha família. A minha filha é Fafense e sempre será. A minha mulher também Fafense, teve o condão de me convencer de que valeria a pena viver aqui desde 2007 e para mim, mesmo sendo difícil de me adaptar vindo da cidade do Porto, apaixonei-me por coisas simples como a natureza, o ar limpo, a calmia e a representativade diária de que mesmo trabalhando no Porto e viajando bastante por vários locais por motivo de trabalho, regresso ao meu abrigo e à cidade que passei a gostar. Representa ainda pessoas transparentes, que são o que são genuinamente e com uma ligação especial à Justiça e ao movimento cultural do inicio do século XX, com um simbolo cultural que felizmente voltou a estar activo (Teatro Cinema de Fafe). Representa ainda os DEEP, o grupo de Pop Rock, do qual fiz parte juntamente com o Ruca, o João Pedro, o Pedro e a Joana anteriormente.
Representa ainda e espero que não me interpretem mal , como uma das regiões com maior potencial para abraçar o futuro mas que teima ainda em não o conseguir fazer. Fafe não pode ser apenas o “Salão de Visitas do Minho”. Tem de ser uma Janela do Mundo. Tem uma história e tradição que não pode ficar apenas como porta do Minho.


JORNALdeFAFE: O que mudaria na gestão da cidade?
Uma questão muito interessante para se colocar. E eu em concreto posso ter uma maior independência de olhar para este belo concelho, pois sou natural do Porto e vim residir para Fafe há 13 anos. Proponho que olhemos para Fafe como se fosse um produto. E como tal que vantagens e desvantagens apresenta para quem necessita desse produto (habitantes) e o que podem fazer os seus gestores (Autarquia e instituições de serviço camarário)? De bom, apresenta características muito próprias e que pela sua genuinidade podem ser potenciadas como factor diferenciador . Aspectos como :
-Gastronomia (pratos típicos);
-Localização (Auto-estrada pertíssimo que nos liga a qualquer lado de Norte a Sul – embora com preço elevadíssimo de portagens que poderia ser promovida a possibilidade de reduzir o mesmo - );
-Cluster têxtil (tecido industrial que promove dinamicidade à região);
-Eventos cíclicos (destaca-se o Rally de Portugal, entre outros);
-As suas gentes (características de resiliência e pragmatismo de salutar);
-Espaço de crescimento natural (Fafe ainda apresenta dimensão geográfica com grande capacidade para crescer na sua periferia).


Por outro lado, apresenta a meu ver factores que podem e devem ser melhorados para potenciar a curto prazo, que serão críticos para poderem ser considerados como estratégicos a longo prazo para manter a região activa e capaz de manter anualmente uma taxa migratória positiva, isto é, número de cidadãos que passam a residir em Fafe superior aos que deixam de residir em Fafe, já para não considerar a comparação da taxa de natalidade e mortalidade no concelho. Factores como:
-Promoção de turismo estrutural e não pontual. Repito estrutural e não pontual . Verdadeiramente Fafe hoje não apresenta oferta turística  estruturada e unidades hoteleiras em quantidade compatível com o produto que poderia promover. Se pensarmos no que Fafe poderia oferecer como roteiro para um turista passar um fim de semana em Fafe, começaríamos por onde? Que programas a apresentar? Quais as unidades hoteleiras onde ficar e em quantidade suficiente? Qual o roteiro gastronómico e vinícola? Que visitas guiadas poderiam ser desenhadas ? Pensando na igreja românica de Arões, as histórias ricas e a influência brasileira na região, os espaços verdes como a Barragem da Queimadela, a casa do Penedo, a Aldeia do Pontido, entre outros. Que história bonita poderíamos contar para convencer alguém a visitar Fafe para um fim de semana ou uma semana? Há imenso que contar, mas mais do que tudo saber contar essa história. Hoje a tecnologia permitira facilmente criar estruturas organizadas para em colectivo pensar em estruturar o turismo de Fafe para benefício de todos. Claro que a componente de investimento é um factor critico para fazer crescer este mercado, mas Fafe apresenta empresários qualificados, com provas dadas na gestão dos seus negócios que certamente poderiam participar activamente neste tipo de projectos desde que bem rotulados e desenhados. Para além da forte ligação que existe com os emigrantes e em que muitos deles certamente poderiam participar em promover a sua região natal;
Continuar a  assegurar no mais curto espaço de tempo que serviços básicos de saneamento e assistência primária aos seus habitantes possam ser assegurados em todo o concelho, pois antes de olhar para fora, temos de olhar para dentro e ter a capacidade de promover a melhoria interna, pois cada fafense satisfeito com o seu concelho é o maior e melhor promotor da região;
Fafe estar atento à capacidade de reter os seus jovens cidadãos, sobretudo aqueles que por motivo de estudos superiores tenham a necessidade de sair para ganhar competências universitárias e que provavelmente não retornam mais à sua cidade natal para residir permanentemente, por falta de capacidade da própria região em criar postos de trabalho para sectores mais qualificados (sobretudo sector privado). E hoje há mais do que condições tecnológicas para um executivo camarário poder ter a percepção de qual a taxa de sucesso de retenção desses jovens;
Fafe ser activa na capacidade de atrair investimento para estabelecimento de pólos tecnológicos, isto é, Fafe ter a capacidade de atrair empresas como a SIBS, a Critical Software, Microsoft, Entidades Bancárias, entre outras, para que estas mesmas possam facilitar a construção de postos de trabalho qualificado e que naturalmente fazem impulsionar a capacidade de atrair outros cidadãos para residirem em Fafe, pois pelas razões que descrevi em supra, seria fácil convencer alguém residir em Fafe. Neste aspecto não vejo porque Fafe não pode ter o mesmo desempenho a este nível que o Fundão, Arcos de Valdevez, Chaves e outros municípios com características semelhantes;
- Criar condições para que o tecido empresarial local possa ser mais competitivo do que outras regiões geográficas que paulatinamente estão a ganhar quota de mercado às empresas locais. Em concreto porque não criar uma Central de Compras Integrada e Automatizada, verdadeiramente global para assegurar que as empresas locais que vão adquirir isoladamente as mesmas mercadorias aos mesmos fornecedores possam ter preços e condições negociais vantajosas? Acções que possam promover o benefício colectivo não deixando de preservar o espaço e identidade de cada empresa ou empresário. Todos já percebemos que sozinhos poderemos ir mais rápido, mas juntos iremos mais longe…
- E mais outras ideias que poderiam ser exploradas e que certamente os “agentes vivos” da região estarão atentos para tentar promover estas ou outras soluções melhores. Da minha parte perfeitamente disponível para debater e partilhar ideias deste teor para promover o bem comum.


JORNALdeFAFE: Fafe tem marca própria ou precisa afirmar-se fora dos seus muros?
Orlando Gomes Costa: Mais do que marca própria, diria que tem características próprias que podem reforçar a sua marca. Características essas que já referi anteriormente e as quais podem e deverão afirmar-se fora dos seus muros. Num inquérito rápido, atrever-me-ia a dizer que Fafe é conhecida pelos rally, indústria têxtil, pela justiça, pela vitela e pela forte ligação com os seus emigrantes. Porém, tem muito mais características para potenciar e saber enquadrar-se num mundo que exige mudança e flexibilidade. Como diz um ditado já instituído “Não é o mais forte que sobrevive, mas o que melhor se adapta às mudanças” .
E Fafe tem tudo reunido para o poder fazer de forma gradual com o mundo em transformação. Desse modo uma marca reforçada, transversal, que para além do tradicional possa referir que está pronta para abraçar o mundo seria adequado. Respeitar o passado, criando futuro.


Nota: Por opção foi escrito ao abrigo do velho acordo ortográfico.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

#passaapalavra: Filipe Teixeira é Gestor de Projetos Nacionais e Europeus, nasceu em Paris, em 1975, e reside em Fafe desde 1998.


JORNALdeFAFE:  Habilitações literárias e profissionais...
FILIPE TEIXEIRA: Licenciei-me em Gestão de Empresas pela Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho em 1998. Obtive duas Pós-Graduações, uma em Gestão de Projetos Territoriais pela Universidade Paris XII e outra em Prospetiva e Planeamento do Desenvolvimento Regional e Local, pela Faculdade de Ciências e Sociais da Universidade Católica, respetivamente, em 2000 e 2008.
Iniciei a minha atividade profissional no início de 1999, na ADRAVE – Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Ave e durante cerca de 18 anos, entre outras atividades, elaborei, concebi, implementei e coordenei vários projetos de desenvolvimento de natureza regional e europeia na área do desenvolvimento económico, apoio ao empreendedorismo, inovação e competitividade das PME’s do Vale do Ave e obviamente de Fafe.

  Das dezenas de projetos desenvolvidos para a Região, destaco dois, que na altura, foram inovadores na Região Norte: INVEST IN AVE, projeto implementado em 2005, que pretendeu tornar-se um importante suporte para a tomada de decisão do investidor e procurou criar condições atrativas para o investimento nacional e estrangeiro do Vale do Ave, através de um portal on-line e de um autêntico Atlas prático que juntou a informação dispersa sobre a oferta de terrenos e infraestruturas para a localização industrial e promoveu o Vale do Ave e suas potencialidades. Na altura, nenhuma entidade central, regional e tão pouco local tinha uma ferramenta com este grau de precisão, atualizado e online. Atualmente, as ferramentas disponibilizadas aos empresários, investidores pelas entidades centrais, regionais e até locais são inúmeras e até se sobrepõem, por vezes.
 O segundo projeto, é o projeto-piloto ATC4 Excellence da Comissão Europeia, dinamizado em 2012, e que tinha como objetivo melhorar os processos de gestão dos clusters europeus.

O projeto, tornou na ADRAVE, na altura, a única Entidade em Portugal qualificada para apoiar as entidades gestoras de clusters para processos de reconhecimento internacional, e para formar os gestores de clusters nacionais. Um cluster, é uma rede colaborativa que abrange uma fileira setorial que integra empresas, associações empresariais, entidades públicas e instituições de Ensino Superior que partilham uma visão estratégica comum, para, através da cooperação e da obtenção de economias de aglomeração, atingir níveis superiores de capacidade competitiva. Hoje perante esta atualidade da pandemia COVID 19, os clusters têm um papel importante de apoio e de procura de soluções contra esta “guerra”. “Falta apenas colocar as rodas em movimento” afirmava há dias o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.



JORNALdeFAFE: O que faz atualmente?

FILIPE TEIXEIRA: Desde 2018 trabalho no INVEST Santo Tirso, que concentra as funções de Gabinete de Dinamização Económica criado, em 2015, para dar apoio às empresas, aos empreendedores e aos investidores no concelho de Santo Tirso. Integro uma equipa multidisciplinar de 9 colaboradores e co dinamizo as áreas de Empreendedorismo, da Diplomacia Económica e dos Projetos Nacionais e Europeus. Tenho implementado e coordenado, entre outros, 2 Projetos na área do Empreendedorismo e da Inovação Social: SANTO TIRSO EMPREENDE e LACES – Economia Social com resultados e impactos muitos positivos para o concelho, mas também para a região.

O meu maior orgulho, foi ter contribuído para em 2019, o INVEST Santo Tirso ter obtido o segundo lugar na categoria de “Desenvolvimento do Ambiente Empresarial”, uma das seis categorias do Prémios Europeus de Promoção Empresarial, uma iniciativa da Comissão Europeia, coordenada pelo IAPMEI - Agência para a Competitividade e Inovação. É um reconhecimento notório e externo do vibrante ecossistema empresarial existente em Santo Tirso, apoiada pelo INVEST Santo Tirso.

JORNALdeFAFE: O que representa este território para si?

quarta-feira, 18 de março de 2020

#passaapalavra: Gil Soares é arquiteto, dirigente associativismo, colaborador do jornal Povo de Fafe. Nasceu em Fafe, em 1979, e reside em Travassós.


JORNALdeFAFE: Gil Soares, um Arquiteto ao serviço das associações fafenses? 
GIL SOARES: As associações fafenses, como muitas associações por esse país fora, não têm recursos para pagar os serviços profissionais de um arquiteto. Aí entro eu e o meu gabinete (eng.º Tiago e arqº Edgar Costa), para dar esse apoio. As pessoas perceberam que eu também fui e sou dirigente associativo (em várias coletividades) e, devido a esse facto, sinto as associações nas suas necessidades e dificuldades, com conhecimento de causa. Nunca nenhuma associação fafense ficará sem um projeto de arquitetura por falta de dinheiro. Estou ao serviço das associações pelo respeito ao trabalho, esforço e dedicação dos seus diretores e pela importância que elas conferem ao panorama sociocultural e desportivo do concelho. O último projeto apoiado foi o parque de lazer do Club Alfa! Um projeto inovador que muito vai engrandecer a freguesia de Regadas...


JORNALdeFAFE: Um homem com um percurso rico no associativismo? 
GIL SOARES: Um percurso mais variado que rico. O meu pai fundou o escutismo, em Travassós, e, desde muito novo, tornei-me escuteiro. Foi algo natural. Quase todos os jovens foram escuteiros nessa época. Foram 16 anos fantásticos! Em 1993 ingressei no Grupo Coral, durante seis anos. Tinha formação musical, advinda dos tempos de seminarista. Quando ingressei, em 2001, na Universidade Lusíada de Famalicão tive de abandonar o Escutismo. Na Universidade fiz parte de várias Comissões de Praxe e fui fundador/presidente do Núcleo de Arquitetura e Artes, em 2003/2004. Em 2004/2005 fui presidente da Associação Académica, no ano letivo em que terminei o curso. Na AAUL-F e no NAAUL-F percebi que um bom líder tem de ter uma grande equipa, pois só assim se consegue realizar um bom trabalho. Quando assumi a presidência da associação académica herdei dividas no valor de 50 mil euros. No fim do mandato tivemos um saldo positivo de 7000 euros. Ainda fizemos obras no bar académico e na sede. Organizamos várias atividades inovadoras, para além das tradicionais. Fiz parte, embora pouco tempo, da Tuna Académica, pois os compromissos associativos não permitiram uma maior continuidade.  A partir de 2005 fui diretor do G.D. Travassós, durante sete anos. Fui treinador das camadas jovens de 2006 a 2008.  Em 2008 foi criada a secção de futsal do clube, na qual fui jogador.  A partir de 2018 tornei-me diretor no Grupo Nun’Álvares.  Apoio várias coletividades, principalmente em Travassós, e sinto-me integrado nelas: o GAT e o Travassós Running. Como costumo referir: não faço parte, mas sou parte! Relativamente a Comissões de Festas fiz parte, em Travassós, na de S. Sebastião (2008): Santíssimo Sacramento (2018) e Nª Sª das Graças (2019). Fui colaborador do jornal Desportivo de Fafe (2005/2006); revista Dom Fafes 13/14 (2007); Correio de Fafe e Rádio Clube de Fafe (2006 a 2011); no jornal Fafexpresso (2011); Revista Factos (2016/2017); Revista Club Alfa (2019);




 





JORNALdeFAFE: Seminarista? 
GIL SOARES: Frequentei o Seminário de Nª Sª da Conceição de 1990 a 1993. Anos maravilhosos! Ingressei com o intuito de ser padre e sinto que tinha vocação! Talvez se tenha perdido um bom sacerdote… Mas sempre tive a paixão pelo desenho e um antigo professor do seminário, o arqº Varandas, incutiu-me a paixão pela arquitetura.  A vida no seminário tinha um carácter muito social. Os seminaristas eram uns privilegiados. Tínhamos as melhores condições físicas e humanas possíveis! Desde as condições do edifício aos campos de futebol e ringue, assim como os melhores professores! Foram 3 anos que guardo, para sempre, com saudade!

JORNALdeFAFE: Habilitações académicas e profissionais?
GIL SOARES: Licenciatura em arquitetura. Inscrevi-me para um mestrado, porque tive um convite para dar aulas na universidade, mas depois de iniciar o percurso profissional não mais me dediquei à dissertação. Iniciei a minha atividade profissional no início de 2008. Em 2010 fiz parte de um projeto de mediação imobiliária, mas percebi que tinha de voltar, unicamente, à profissão de arquiteto.

JORNALdeFAFE: Como vai parar à política? 
GIL SOARES: Em 1994 filiei-me na Juventude Socialista. Surgiu o convite pela Natália Bento e, numa idade muito nova, acedi e iniciei este percurso. Foi um “grito de raiva” pelo afastamento do meu pai do seu partido, o PSD! Não vou dizer que me tornei socialista pelos ideais ou coisa parecida!  O meu pai tinha feito parte do executivo (secretário) da Junta de Freguesia de Travassós, pelo PSD, nos anos 80. A política fazia parte da minha vida, desde muito novo. Acompanhava o meu pai nas campanhas eleitorais de bandeira do PSD na mão. A família, da parte da minha mãe, é simpatizante do Partido Socialista. Em 1997 fui convidado para a lista do PS em Travassós, pelo saudoso José Manuel Ferreira. Só em 2005 volto à atividade política pela mão do então líder da JS, João Vieira Mendes, que me chegou a formular o convite para assumir a liderança da JS-Fafe. Estava a terminar o curso e não aceitei, mas fiz parte do secretariado liderado pelo Daniel Bastos. Em 2009, o ex-presidente da junta de Fafe, José Mário Silva, fez com que me tornasse militante do PS. Pertenci a Comissões Políticas Concelhias e ao Secretariado presidido por José Ribeiro (2016-2018). Fui presidente da Assembleia de Freguesia de Travassós de 2013 a 2017, pelo PS.  Em 2018 concorri ao congresso nacional e tenho participado em reuniões da Comissão Política Nacional. Como não fui convidado para pertencer à Comissão Política Concelhia, após o próximo congresso apenas me tornarei um militante para pagar quotas!







JORNALdeFAFE: PS ou Fafe Sempre? 
GIL SOARES: O meu ponto de decisão prende-se com a pessoa de Antero Barbosa.  Sou seu apoiante, como é sobejamente conhecido, e terá o meu singular apoio nas próximas eleições! Se for candidato, pelo PS, ser-lhe-á feita justiça! Mas, de certo modo, estará limitado nas escolhas para as listas (Câmara; Juntas e Assembleia Municipal). A batalha será mais fácil para o partido e, desse modo, não precisará de mim, nem de outros como eu, para dar o “corpo às balas”. Voltar-se-á à hegemonia socialista de outros tempos! Se for candidato pelo “Fafe Sempre” terá a liberdade de escolher os vereadores e assessores, de vários setores políticos e da sociedade, em geral! Não quer dizer que não o faça pelo PS mas, presumivelmente, ficará condicionado a alguns nomes! O Fafe Sempre permitiu mostrar o quanto valemos como pessoa! O PS, atualmente, deve estar a contar com a candidatura de Antero Barbosa porque não se preocupou em estabelecer um diálogo com vários militantes. Não sente essa necessidade!  Toda a gente sabe que, separando as forças políticas: PS; Fafe Sempre; PSD; Independentes por Fafe; Bloco de Esquerda; CDS e CDU; a que mais força tem, atualmente, é o Fafe Sempre. Foi alicerçado com muitos socialistas e independentes que deram tudo desde o zero.   Foi construído com as “nossas” mãos e com o desgaste das nossas solas. E, perante estes factos, seria hipócrita se não escolhesse o Fafe Sempre, com Antero Barbosa! O PS apenas se serve do valioso símbolo. Não tem a garra do Fafe Sempre!

JORNALdeFAFE: Em 2021 realizar-se-ão eleições autárquicas. Há a possibilidade de integrar uma lista à Câmara?  Em Travassós fala-se de uma possível candidatura à junta. Será candidato? 
GIL SOARES: Se for convidado terei bem definidas as condições que me farão aceitar a integração numa lista à câmara. Mas será difícil! Não tenho “padrinhos” nem ando a “lamber botas”. Não aceitei nas últimas eleições porque achei que o lugar que me propuseram não era condizente com dois fatores: primeiro, os meus conhecimentos em algumas matérias, principalmente em termos de urbanismo, que acho ser muito importante para o desenvolvimento estratégico de Fafe; e, outro, relacionado com o que eu poderia valer no terreno a nível de votos. Felizmente consegui provar, mesmo com o meu tempo limitado, que ainda consigo “alguns votos”. Quanto a uma eventual candidatura à Junta de Freguesia refiro que não está nos meus horizontes! No entanto poderei avançar, após consultar a minha namorada, com quem tenho uma vida em comum, e perante algum desagrado que possa advir do processo, mais especificamente perante alguns candidatos que possam ir a sufrágio.  Mas com diálogo tudo se resolve! Ressalvo que nunca seria candidato contra João Sousa (PSD). Gosto do trabalho que tem feito e acho que se deveria recandidatar, a um último mandato, para realizar obras que serão as de maior impacto!



JORNALdeFAFE: E os projetos com as juntas de freguesia, como aparecem?
GIL SOARES: Os projetos para as juntas aparecem, acima de tudo, pela amizade e, espero eu, por algum reconhecimento do trabalho profissional. Naturalmente, poderiam ser entregues a outros arquitetos e que estariam, também, bem entregues. O primeiro projeto foi solicitado pela U.F. Aboim; Gontim; Felgueiras e Pedraído. Era o presidente António José Novais. As obras foram as da ampliação da sede de Aboim, que ficou notável, com uma estrutura em aço corten e a recuperação da Escola de Pedraído. A freguesia de Paços, pelo seu presidente Joaquim Barbosa, também solicitou vários projetos, entre os quais o Memorial da Ponte de Paços. Vai ser uma obra de referência pelo seu carácter simbólico! De forma natural também apoio a Junta de Travassós! É a minha freguesia! E, inclusive, pela amizade que tenho com os membros do executivo. Outras juntas costumam solicitar determinados projetos para candidaturas, assim como o apoio a várias coletividades das suas freguesias. Eu interajo com vários presidentes de junta, de diferentes cores políticas, e sabem que estou sempre disponível para os ajudar, mesmo que o trabalho não seja remunerado!




JORNALdeFAFE: O limite dos projetos possíveis para Fafe é o céu? 
GIL SOARES: Fafe, acima de tudo, tem de ter uma visão estratégica. O céu pode ser o limite…para os projetos públicos: zonas industriais; pavilhões desportivos; piscinas; courts de ténis; percursos pedonais de ligação à barragem; espaços de memória; museus, incubadora de empresas, centro BTT; escola de pilotos, entre outros. O único limite, para a sua concretização, é a questão económica! Aí é que o limite pode ser o inferno! Nada se faz sem dinheiro e sem saúde financeira aliada a uma boa gestão dos dinheiros públicos, assim como a necessidade de financiamento por parte do Estado ou da Comunidade Europeia. Mas há uma parte muito importante: o investimento privado! Para isso é necessário criar condições! Eu comecei por referir a visão estratégica e isso passa, desde logo, pelo planeamento do território e cativar capital de investimento. Fafe tem de aproveitar a especulação imobiliária do concelho vizinho de Guimarães, com um mercado mais caro, e valorizar as acessibilidades, principalmente a variante de ligação. Um dos fatores mais importantes seria a revisão do Plano Diretor Municipal, de forma a criar mais espaços de construção, em zonas estratégicas. O Nó de Arões é importantíssimo, tanto para a indústria/comércio, como para o espaço habitacional. Agora não podemos atrofiar as freguesias que se servem dele. Se as vias de comunicação são o primeiro fator para o planeamento, elas terão de servir, primeiramente, para o desenvolvimento do espaço edificado. Há medidas que o município vai implementar que ajudam esse desenvolvimento, em termos de regulamento edificatório. Mas não podemos ter boas estradas a servir, maioritariamente, zonas classificadas como “espaços agrícolas” ou “florestais”. Fafe pode se desenvolver mais e melhor e, para isso, é preciso pensar com todos e não por todos!



JORNALdeFAFE: O que falta à política fafense? 
GIL SOARES: Falta, acima de tudo, conhecerem Fafe. E quando digo “Fafe” não é só a cidade, mas todo o concelho! Aos partidos políticos falta união interna! Fala-se muito nessa palavra, mas é só “para inglês ver” ou ler! Quem anda na política tem a legitima ambição de fazer carreira, mas tem faltado coerência e as guerras internas fragmentaram os principais partidos. Tem faltado a “palavra”. O que hoje é, amanhã já não o é! Falta qualidade nas campanhas do “bota abaixo”, porque ninguém quer provar que é melhor, mas sim quem é o pior!  Tem faltado “ouvir”, pois quando assumem um cargo parece que ficam logo com a sabedoria toda!  Faltam pessoas com qualidades técnicas/competência, os designados “quadros”. Muitos falam em os trazer para os partidos, depois ninguém os quer para não tirar o lugar a alguém! Falta alguns saírem da política, porque já nada têm para dar! Falta sentir a realidade das freguesias. Umas recebem muito para servir pouco e outros pouco para servirem muito. Falta sentir o concelho de Fafe a começar das freguesias para a cidade e não ao contrário! Todo o território tem potencialidade nos mais variados campos de intervenção!


JORNALdeFAFE: Se tivesse de construir uma equipa para a Câmara, quem convidaria e para que cargo?
GIL SOARES: Em todos os partidos, movimentos ou população, em geral, conheço muita gente competente para determinados cargos. Há nomes por quem tenho muito respeito: o atual presidente, Raúl Cunha, que apesar das divergências reconheço um bom trabalho, mas acho que será o último mandato; José Ribeiro também tem de ser tido em conta por tudo que deu a Fafe, embora presumo que será o seu último mandato. Pompeu Martins seria um bom deputado; Carlos Cunha será uma aposta no futuro, após saída do governo; Daniel Bastos poderia assumir um cargo interno, de chefia, ligado à cultura/desporto/associativismo. Licínio Gonçalves também é um nome que, no futuro, tem de ser tido em conta pela sua experiência profissional. Francisco Lemos, pela sua experiência em determinadas áreas será, também, uma aposta no futuro.  Se fosse hoje e tendo em conta que se trataria de uma candidatura independente, perante provas que já deram, ou dão, pensando que fariam uma boa equipa multidisciplinar,    escolhia: - Antero Barbosa (presidente/administração/Obras Municipais/Gestão Financeira…); Silvia Soares (ação social/recursos humanos…); - José Batista (ambiente; cemitério; proteção animal; fundos comunitários…); - Fátima Caldeira (Cultura; Educação, Associativismo…),- Eugénio Marinho (Urbanismo/Empreendorismo…). A este elenco juntava Nuno Cobanco (chefe de gabinete); Carlos Afonso (Cultura); Filipe Teixeira (empreendorismo/apoio empresas/comércio); Pedro Sousa (Educação/ Associativismo), Leonel Castro (Ambiente/Agricultura/Turismo) e Tiago Ribeiro e Fortunato Novais (Urbanismo). Todos eles têm, inclusive, conhecimento em diversas áreas que não as que estão a eles atribuidas. Empresa Municipal de Água de Fafe: Parcidio Summavielle. Presidente Assembleia Municipal: José Rodrigues. Provedor do munícipe:  António Abreu. Proteção Civil: Gilberto Gonçalves. Provavelmente, “amanhã”, tenha outros nomes. Atualmente seriam estes!

quarta-feira, 11 de março de 2020

#passaapalavra: António Daniel é professor de Filosofia. Autor do blogue Filosofia na Madeira Torres. Um fafense de corpo e alma.



JORNALdeFAFE: habilitações literárias e profissionais... escolas onde lecionou...
António Daniel: Antes de mais deixem-me dizer-vos que esta iniciativa é uma pedrada no charco. É uma óptima ideia e é uma forma de dar voz a quem nunca teve nos fabulosos jornais que temos em Fafe, jornais muito paroquiais.
Licenciai-me me Filosofia em 92 e fiz o mestrado em Cultura Portuguesa em 2000. Lecionei em Barcelos, Fafe, Mirandela, Aljustrel, Lourinhã, Mafra e Torres Vedras. Promovo formação no Centro de formação de Torres Vedras. E por aqui fiquei.

JORNALdeFAFE: Há quantos anos saiu de Fafe? O que representa esta cidade para si?
António Daniel: Saí de Fafe há alguns anos. Há cerca de 30. Inicialmente, prolonguei o meu vínculo de fim de semana, posteriormente tornei-me visitante esporádico até que cortei com o cordão umbilical há cerca de 5 anos. Daí para cá, vou acompanhando pelas redes sociais o que na minha terra se tem feito. Por vezes assisto às reuniões do executivo pelos meios existentes. Não perco é um resultado da desportiva e fico francamente aborrecido quando empata ou perde.
A segunda questão é de difícil resposta. A representação é sempre uma construção e a forma como construímos depende da idade e do contexto. Sempre gostei de Fafe, dos seus recantos, das suas ruas e da minha de forma particular. Apesar de ter vivido em três ruas, uma teve particular importância: a Travessa da Rua do Maia. Foi lá que vivi toda a minha infância. As primeiras quedas de bicicleta, os primeiros arranhões a subir árvores. Era o meu mundo.
Entretanto, entre os vinte os os 30 e tal, pensamos em tudo menos no significado da vida. Até que aos 40, recuperamos a memória, sentindo a necessidade de voltarmos de onde partirmos. Por isso, os anos passam mais rápido porque começamos a perceber o que é realmente isto tudo. Percebemos o afeto, a dimensão do carinho, o calor do ventre, a mundividência dos rostos dos nossos velhotes. Tudo isso é irrecuperável. O cheiro da vitela atenua a angústia da presença ausente.

JORNALdeFAFE: Como se vê Fafe à distância?
António Daniel: É-me difícil responder a essa questão. Parece sempre que lá estou. Quando percorro uma rua qualquer, comparo-a sempre às nossa ruas. Contudo, Fafe não é diferente de todas as outras terras. A única diferença é que é a nossa terra. Tem uma boa situação geográfica, boa estrutura viária, mas ganha-se muito mal. Fafe é uma óptima terra para quem tenha um salário mediano ou alto. Facilmente nos conduzimos a Braga ou ao Porto. Para quem ganhe pouco a situação é diferente, apesar de ter havido uma melhoria substancial na oferta e acessibilidade cultural. Mas a essência está lá.
Somos generosos e superlativos, mas também demasiadamente conformistas. Ainda estamos muito subalternos ao srº abade. Talvez efeitos colaterais do cónego. Sempre gostei das nossas Igrejas. Apesar de ser vizinho da Matriz, a nova acolhe a minha preferência. Mas fiquei chocado com o que fizeram com a Nova. Aqueles frescos pseudo-renascentistas… Na Matriz também fizeram asneira com as portadas de vidro. Valha-me Deus. Temos sempre de estragar tudo. Mas em geral, há manifestamente melhor gosto e mais cuidado.
Repeitamos o Sº Abade mas continuamos a abusar do «filho da puta». Certo dia fui ao supermercado com a minha filha ainda pequena. Estávamos junto aos legumes e uma senhora apontando para a alface disse «esta filha da puta está com má cara». A partir daí, sempre que eu colocava alface no prato da minha filha, ela afirmava que não queria «filha da puta». Por vezes é catártico, mas abusamos no viés linguístico.
Mas Fafe continua a ser uma cidade desconhecida para a grande maioria das pessoas. Os eventos que acontecem ficam-se pelo microcosmos do norte. Abaixo do Mondego não chega a mensagem da vitela, nem do rali e muito menos do ciclismo que ninguém vê. É um problema. Por exemplo, são raras as publicações nacionais onde surja alguma atractividade de Fafe. Uma coisa é a perceção de quem é daí natural, outra a perceção de quem não conhece nem sabe onde fica Fafe. Mas faço o meu papel. Os meus alunos dizem-me sempre quando a desportiva joga no canal 11.
"Finalmente ao nível político, cheira-me a mofo. Tudo com um discurso amorfo, sem rasgos. Sinceramente é uma pena o PSD. Sempre me meteu pena. Constituído por gente válida mas que raramente despontou, quer pela hegemonia do PS, quer pela própria incapacidade da estrutura do partido. É realmente uma pena não haver alternância de poder. Depois tudo anda à volta do PS, das suas questiúnculas, dos seus amores e desamores, dos oportunismos e aproveitamentos. Não gosto. É um ambiente podre que não transmite confiança. Parece tudo confeccionado a lume brando, sempre com os mesmos ingredientes."

JORNALdeFAFE: Há 8 anos os seus artigos apontavam um apoio a Parcídio Summavielle, manteria o apoio?
António Daniel: Não sei avaliar. Nem sei se Parcídio quer mesmo o poder. Espero que não. Certa vez, nos longínquos anos 80, realizou-se a chamada Rampa da Penha. Era uma prova automobilística. Já na altura havia a febre do automobilismo em Fafe. Era uma demonstração de virilidade. Também fui ver a dita Rampa e, à vinda, «apanhei» boleia com o Parcídio numa velha carrinha Peugeot. Bom, ele sempre foi um pouco, digamos, proactivo na condução. Foi bastante frenética a descida da Penha até à estrada nacional 206. Chegando lá, ainda havia Arões e muitas curvas… Creio que perdi uns anos de vida. Cheguei a casa e pensei que, sendo filho único, não devia andar mais no carro do Parcídio. Os anos passaram, e por vezes essa excitação hormonal vivida na juventude pode ser muito bem canalizada aquando da meia idade. Pensei nisso em relação ao Parcídio. Até que… bem até que ele se lembra de promover uma caça ao javali; não havendo javalis em Fafe a única forma de promover a caça é soltar alguns nas serranias para servirem de tiro ao alvo. Ora, isso desgostou-me. É uma actividade pseudo-turística , perfeitamente desenquadrada das nossas paisagens, artificial e marialva. São estes os contextos em que avaliamos o vínculo e a sensibilidade à terra. Fez-me lembrar os anos oitenta e o excesso hormonal.

JORNALdeFAFE: O que mudaria na gestão da cidade?
António Daniel: Apesar do que disse atrás sobre o clima político, Raul Cunha parece-me ser uma pessoa bastante ponderada. É uma mais valia considerável não ser de Fafe. Tem feito projectos interessantes, os equipamentos existentes têm sido razoavelmente utilizados. Contudo, há uma dificuldade enorme na captação de investimento. Há concelhos vizinhos que conseguem mais e melhor. Mas há algo que poderia ser feito. A educação continua a ser um problema. Há tempos fui a Fafe e aproveitei para degustar a vitelinha. No restaurante onde almocei, entrou um casal estrangeiro, creio terem sido refugiados. Foi constrangedor a dificuldade de comunicação do funcionário do restaurante com os clientes. Estes com um inglês perfeitamente compreensível, o funcionário incapaz de transmitir uma qualquer ideia. Está a ver, aqui está uma iniciativa que o poder político podia muito bem levar a cabo. Até mesmo a junta que mais parece uma central de condecorações e de festanças, podia desenvolver uma espécie de centro de explicações ao nível das línguas para pessoas necessitadas ou para profissionais de certos serviços.
Em termos arquitetónicos, Fafe ainda possui espaços que não devem existir no centro de uma cidade. Os terrenos baldios dão uma péssima imagem. Apesar das alterações feitas e concretizadas no Parque da Cidade, a Feira Velha merecia outro enquadramento, assim como a Igreja Matriz e terrenos anexos.
Um outro aspecto onde se poderia investir é a criação de espaços no centro da cidade, com a aquisição de edifícios classificados e sua reconstrução, para implementação e desenvolvimentos de startups, tentando atrair alguns estudantes de Fafe ou que frequentem a Universidade do Minho em Guimarães. Recuperavam-se imóveis classificados, promovia-se um centro urbano mais atraente e incentivava-se o investimento.
Ao nível cultural, muito se tem feito. Aliás, o Pompeu Miguel gosta de Fafe. Isso é sintomático. Foi um dos melhores se não o melhor vereador, apesar de estar a tornar-se muito político, demasiadamente político pela cena conciliadora. A política faz-se de rupturas. Espero que esteja redondamente enganado.

JORNALdeFAFE: Agradecemos a sua colaboração. Pedimos que nos indique uma pessoa para continuar a rúbrica #passaapalavra.
António Daniel: Para a próxima entrevista proponho o nosso conterrâneo Rui Oliveira. Uma pessoa extraordinária, inteligente, que tem feito carreira no ensino universitário. A última vez que o encontrei foi na Costa da Caparica onde reside. Mas estou com ele muitas vezes no éter na net.