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domingo, 11 de julho de 2021

“UM OUTRO OLHAR” – JULIANA, UMA DESIGNER DE MODA FAFENSE QUE CRIOU UMA MARCA DE ROUPA A PENSAR NA MULHER ATIVA E EXIGENTE

 


Boa tarde cara juliana, agradeço-te por teres disponibilidade em participar nesta entrevista.

TENHO VINDO A ACOMPANHAR O TEU PERCURSO PROFISSIONAL e confesso que o teu perfil de empresária de MODA com loja online em crescente evolução, com sede em LISBOA, mas com produção em fafe, sensibilizou-me a seres a próxima empresária, a convidar para as minhas entrevistas.

Neste sentido, a minha primeira pergunta é da praxe e é mais pessoaL.
Gostava que me partilhasses as tuas origens e o teu percurso escolar e formativo. Gostavas de estudar ou eras mais virada para o trabalho prático? Tens alguém na tua família ou amigos como modelo empreendedor?

Olá Filipe, muito obrigada por este convite que tanto me honra! E deixo-te, desde já, os meus parabéns pela tua dedicação a este projeto tão altruísta!

Vivi e estudei em Fafe até aos 18 anos. A minha mãe era professora primária e o meu pai era comercial na indústria têxtil. Até essa idade, já tinha pensado em mil profissões que gostava de aprender. Foram várias as áreas que me foram despertando a curiosidade, mas quando me imaginava na situação de executar, na prática, cada uma delas, abandonava a ideia e saltava para a seguinte. 

Em paralelo, em casa, no meu mundo, o que eu gostava mesmo era de desenhar, fazer a roupa das minhas bonecas, passar tardes com a minha tia, que era costureira, a idealizar os meus vestidos e a vê-la a fazê-los. Ao domingo, as primas juntavam-se em casa dos avós e bordávamos, fazíamos tapetes, tricot… 

Em Fafe não havia a opção de escolhermos design no 10.º ano, então segui científico-natural para não me separar das minhas amigas. Mas quando cheguei ao 12.º, percebi que não me identificava com as perspetivas de futuro, então mudei-me para o Porto e acabei por entrar na universidade, no curso de psicologia. Mais uma vez, a minha curiosidade induziu-me em erro e, ao fim de dois anos, percebi que embora a área me fascinasse, não queria fazer disso a minha vida. Não sinto que tenha sido em vão e ainda hoje leio livros sobre comportamento humano. Aceito que fez parte do meu percurso e que me enriqueceu. 

Mas finalmente senti-me em casa quando comecei o meu curso de Estilismo, na Escola de Moda do Porto. Ao fim de 2 anos de curso, ao contrário dos meus colegas que escolheram ateliers para estagiar, eu escolhi fazer um estágio na indústria pois interessava-me perceber esse lado mais prático da área e que senti que o curso não me tinha dado. Estagiei na fábrica da nossa conterrânea Fernanda Marinho, que trabalhava para o grupo Inditex.
No fim do estágio, um cancro na tiroide obrigou-me a parar durante um ano. Costumo dizer que foi a melhor coisa que me aconteceu, pois fez-me repensar tudo e tomar a decisão de lutar com todas as minhas forças para conseguir fazer o que gosto da minha vida. 

Então voltei a estudar, frequentei outro curso de Design de Moda, mas desta vez na melhor e mais exigente escola do país, o Citex (hoje Modatex). Aqui sim, senti que me estavam a dar todas as bases que eu procurava. Fiz um estágio em Lisboa, com uma designer que admirava e regressei ao Porto, com o projeto de abrir a minha loja/atelier, a Miau Frou Frou. Na ocasião, a minha família achava isto uma loucura, por não ser um caminho certo e seguro. Mas foi precisamente na família que fui buscar todo o apoio para concretizar este sonho.
 
 
Como surgiu a ideia inicial de seres empreendedora?

Eu nunca tive a ideia consciente de ser empreendedora. Isso era apenas um meio para eu conseguir fazer o que me dava prazer: criar livremente. Tive a Miau Frou Frou durante 8 anos, onde testei vários formatos: tive loja própria, vendi para outras lojas de criadores nacionais, por todo o país, e tentei a exportação, apresentando coleções em alguns mercados, em Paris e Londres. 

Depois, conheci o meu marido, o Hélder, e tomei a decisão de vir morar para Lisboa. Aqui senti imensas dificuldades em formar uma equipa, a nível de produção, e encerrei a empresa. Dediquei-me a dar aulas por 3 anos, mas não me sentia realizada sem criar. Desafiei a minha cunhada Cati e, durante mais de meio ano, delineamos toda a estrutura do que viria a ser a OYEZ. Passado meio ano, a Cati recebeu uma proposta profissional da sua área (arquitetura), muito exigente, e passou a ser humanamente impossível conciliar com a OYEZ. E eu tomei a decisão de agarrar o “monstro” em que a OYEZ se estava a transformar e seguir em frente.
 
 
neste sentido a tua Loja de vestuário para mulher on-line @oyezstore que diriges atualmente foi criada em 2019. 
conta-nos mais sobre a trajetória da tua loja de vestuário até à data de hoje, partilhando as suas atividades, os seus produtos, os seus serviços e sua dimensão em termos de mercado geográfico com esta aposta do on-line

Lançar uma marca dirigida para o mercado de vendas online, depois de toda a minha experiência, parecia-me uma ideia bastante simples. Então toda a minha energia foi direcionada para tudo o que está por detrás disso, o invisível. Arranjar os fornecedores que me agradassem, a confeção certa, a gráfica que melhor executasse o meu design de packaging, a transportadora que se adequasse às minhas necessidades de entrega no dia a seguir…etc

Até que chega o dia do lançamento do nosso website e das nossas páginas de redes sociais e vejo o quanto me tinha enganado. Todos os inícios se dão com zero seguidores. E agora? Foi nesse momento que percebi que a venda online seria o maior desafio da minha vida e que não bastava ser boa designer e desenrascada como até então.

Desde que lancei a OYEZ que me dedico imenso a estudar marketing digital, a definir e redefinir estratégias, tudo sozinha. Hoje, sim, considero-me uma designer/empresária.

Tudo é pensado em Lisboa, onde tenho o meu atelier. Desenho as coleções e até há pouco fazia os moldes, os protótipos, o corte e enviava para Fafe para a confeção. Daí regressava tudo para Lisboa, para eu embalar e enviar para as clientes.

Hoje, com o crescimento da empresa, vem tudo a Lisboa primeiro, onde eu faço o design, conto com ajuda nos moldes, o corte é feito numa empresa em Alenquer, segue para a confeção em Fafe e é entregue para embalar e enviar para as clientes. É um pouco louco este modelo, mas acho que me habituei a tudo estar à distância de um email, mensagem ou telefonema. Tanto que acabo de contratar mais uma pessoa para me ajudar na parte burocrática, apoio ao cliente e registo de envios, que mora a 10 minutos da OYEZ e, no entanto, tratamos de tudo online.

A OYEZ chega a todos os pontos do país (acho tão curioso ir ver onde são determinadas terras) e conta já com algumas clientes fiéis em vários outros países, como a Holanda, Suiça, Luxemburgo, Angola, entre outros.
 
 


Quais são as dificuldades que encontras na gestão do dia a dia da tua empresa?

Talvez o facto de ter de estar sempre em muitas frentes, ao mesmo tempo. Tenho uma lista alucinante de coisas diárias para fazer. Passo de uns temas para outros, a toda a hora. Agora design, agora controlo de qualidade, depois atendimento ao cliente, gestão das redes socias, contabilidade, envios…e ainda dou aulas!
 
 
Quais são as maiores satisfações e desilusões que tiveste, até agora, com a tua empresa?

A minha maior satisfação é quando as minhas clientes identificam a OYEZ nas redes sociais ou me enviam as suas fotos com as minhas peças. Aí tudo fica real e vejo que tudo vale a pena.

Desilusão é uma palavra muito forte. Nem sempre tudo corre como foi planeado, mas isso faz parte do processo de crescimento. Creio que não há nada neste caminho que tenho percorrido com a OYEZ que possa dizer que me desiludiu.

 
Quais são os próximos desafios para a tua empresa?

Conseguir delegar mais. Costumo dizer que quanto mais delego mais ganho tempo para trabalhar!!
que no fundo é ganhar tempo para crescer!
 
 
Quais são as características pessoais mais importantes para a tua empresa? Isto é, que importância dás às relações externas na tua empresa? E para ti como empresária, quais são os contactos mais importantes? Fornecedores, clientes, pessoas influentes?

A OYEZ é uma empresa de proximidade. Conhece a história de muitas das suas clientes e de todas as pessoas com que trabalha. Fornecedores, colaboradores, influenciadoras, todos são importantes para aquilo que é a OYEZ, mas sem dúvida que o nosso foco são as clientes. É para elas que crio.


Como te vês como pessoa? Como lidas com o fracasso e o sucesso? 

Vejo-me como um work in progress! Sempre em busca de ser melhor, mais fiel à minha essência, independentemente das expetativas que possam ter sobre mim. Gosto de me testar e de sair da zona de conforto, é nesses momentos que vejo do que sou feita e me sinto mais próxima de mim.

Este trabalho que faço comigo também se aplica à melhoria da minha capacidade de lidar com o fracasso. Nunca soube lidar muito bem com coisas que não me correm tão bem, por isso sou tão esforçada e perfecionista. Isto traz-me benefícios profissionais, mas é muito exigente e desgastante. Estou numa fase de transformação, em que quero começar a aceitar com ligeireza que nem tudo é perfeito.
 
 
Consegues conciliar, no teu dia-a-dia, a vida profissional e pessoal?

Vou dar a resposta honesta e não a bonita e esperada. É muito difícil e no último ano isso basicamente não aconteceu. Tenho trabalhado horas sem fim, fins de semana, feriados e até nas férias. Felizmente, o Hélder ajuda-me imenso, tenho uns pais inacreditáveis e umas amigas que valem ouro.

Mas tenho a esperança de em breve conseguir ter uma vida muito mais equilibrada e conseguir desligar do mundo de vez em quando!
 
 
No teu percurso de empresária, queres partilhar um momento único positivo ou negativo ou até anedótico que te marcou?

Posso destacar como um momento positivo que marcou um ponto de viragem para a marca que foi no início da pandemia, no ano passado. Tinha acabado de mudar de casa e fazer a nova coleção de verão, quando ficamos confinados. Não sabia até quando ia durar aquela situação e tinha uma coleção para fotografar e lançar e não podia chamar uma equipa de modelos, fotógrafo, etc. Então saí à rua no meu novo bairro, que não conhecia assim tão bem, vesti eu própria a minha coleção e o meu marido fotografou-me com o telemóvel. Foi um boom! Dupliquei tudo, desde número de seguidores, engagement e vendas. O público identificou-se muito mais com uma pessoa real e numa idade mais parecida às suas.
 
 
Se tivesses um conselho a dar a uma jovem empreendedora, na tua área, perante o estado atual da Economia, qual seria?

Desde que acabei o curso que oiço que a economia não está boa para investir. Se me deixasse assustar por isso, nunca me tinha lançado para nenhum dos meus projetos. Claro que temos de ser conscientes e às vezes saber dar baby steps, mas o meu conselho seria qualquer coisa do tipo não arrisques tanto que possas perder tudo, nem tão pouco que te impeça de saber que vais conseguir.
 
 
Finalmente, transitando a nossa entrevista para uma parte mais pessoal, pretendia saber qual é tua visão SOBRE A IMPORTÂNCIA DO MUNDO DIGITAL PARA AS LOJAS DE MODA?

A pandemia veio revelar a importância do mundo digital para as lojas de moda. Há um mundo da moda antes da pandemia e depois da pandemia. Se antes era possível ser-se altamente rentável só com a venda em loja, acredito que hoje isso será muito mais difícil, porque as pessoas habituaram-se a comprar a partir de casa, o que obrigou os empresários a explorarem também as vendas online. Mas atenção, que é outro modelo de negócio completamente diferente. Não basta ter o produto e publicar umas fotos. Mas, no plano teórico, consegue-se alcançar um público mais vasto.

O que esta pandemia trouxe de bom para o modelo de negócio online é que fez com que muitas pessoas que nunca antes tinham comprado online, o começassem a fazer. Confiaram, correu bem e ficaram fãs.
 



tenho as seguintes perguntas e peço-te uma palavra ou frase de resposta para cada uma delas:


Hobbies?

Ioga, caminhadas e passear.
 
Local de Férias preferido?

Filipinas.
 
Adoras?

Viajar, conhecer sítios e culturas diferentes.
 
Detestas?

Perder tempo em deslocações.
 
Descreva o teu dia perfeito quando não estás a trabalhar

Um dia de praia com mergulhos no mar.
 
Qual é tua música preferida?

Tenho várias, mas vou destacar uma que já o é há muitos anos: a Cafe de Flore, de Doctor Rockit.
 
qual foi o filme que te marcou?

O fabuloso destino de Amelie Poulin.
 
um livro?

O poder do agora, de Eckhart Tolle
 
Prato preferido?

Nasi goreng.
 
Restaurante preferido?

JNcQUOI Asia, em Lisboa.
 
PODES ME PARTILHAR 3 coisas que estão na tua lista de desejos?

Comprar um bilhete só de ida e o primeiro hotel e passar um mês a viajar pela Ásia.

Fazer uma viagem de autocaravana.

Fazer um retiro espiritual.
 
 
Desporto preferido?

Ioga
 
Qual é o teu clube?

Digo que sou do Benfica, mas na verdade não gosto de futebol.
 
Se não fosses empresária, eras?

Talvez uma hippie que vivia em comunidade...
 
Se tivesses a oportunidade de mudar algo no teu percurso profissional, seria o quê?

Não mudava nada, pois tudo o sou é consequência do que fiz até hoje, mesmo as escolhas erradas, que também as fiz.
 
O que representa Fafe para ti?

Significa ir à terra. Só quem mora longe sabe o poder desta frase. Não trocava o Natal em Fafe por nenhum outro.
 
Se amanhã, fosses uma eleita político local em Fafe, que medidas no setor económico ou noutro implementarias?
 
Estou muito distante dessa realidade para poder dar a minha opinião. Já não moro em Fafe há 22 anos. Só sei que me dá tristeza ver a cidade vazia aos sábados e domingos à tarde. Onde se metem as pessoas? 
Talvez apostasse na promoção de mais atividades/eventos e movimentos culturais para atrair as pessoas à cidade.
 
Qual é a tua regra de Ouro?

Tenho poucas regras, mas há uma bem antiga e popular que para mim é super-valiosa e se aplica, tanto a nível profissional, como pessoal – “não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”.
 
Há algo mais que gostarias de dizer, que não foi abordado?

Acho que já falei demais. O meu respeito por quem ler isto até ao fim!

Um beijinho para todos! 



A MARCA OYEZ ON-LINE:







domingo, 13 de junho de 2021

“UM OUTRO OLHAR” – JOSÉ, UM FAFENSE QUE IMPULSIONA MARCAS INTERNACIONAIS DO SETOR DO CALÇADO A PRODUZIREM EM PORTUGAL




Bom dia caro amigo josé, agradeço-te por teres disponibilidade em participar nesta entrevista.

TENHO VINDO A ACOMPANHAR O TEU PERCURSO PROFISSIONAL, COM ORGULHO E AMIZADE que nos une há 15 anos. PARA TAL, ALÉM TEU PERCURSO, O TEU PERFIL DE EMPREendedor DE SUCESSO que criou uma empresa no setor do calçado, em felgueiras, juntamente com tua esposa mariana, SENSIBILIZARAM-ME A TE CONVIDAR PARA A NOSSA ENTREVISTa.

Neste sentido, a minha primeira pergunta é da praxe e é mais pessoal, Gostava que me partilhasses as tuas origens e o teu percurso escolar e formativo. 
Gostavas de estudar ou eras mais viradO para o trabalho prático? Tens alguém na tua família ou amigos como modelo empreendedor?

Obrigado Filipe pelo convite. Aproveito também para te elogiar por esta iniciativa.

Sou natural de Felgueiras, da freguesia de Sousa. As minhas origens são bastante humildes, o meu Pai era operário fabril e a minha Mãe doméstica.
Concluí o 12º ano com algum sucesso, embora nunca tenha sido um estudante muito aplicado, “esforçava-me” apenas o suficiente, pois priorizava bastante a minha vida social.
Na minha família, tinha o exemplo dos meus irmãos, que constituíram uma fábrica de calçado. 
Como modelo de empreendedorismo, gosto de seguir e modelar algumas pessoas de referência como, Jeff Bezos, Elon Musk, Bernard Arnault, Belmiro de Azevedo... entre outros. Adoro biografias e livros de empreendedorismo.

 
Como surgiu a ideia inicial de seres empreendedor?

Iniciei a minha atividade profissional com 18 anos, numa empresa de calçado, ligado ao departamento comercial, usufruindo da vantagem de falar Inglês e Francês, pois na altura havia falta de profissionais com essas competências. Estive nesta empresa 12 anos, onde adquiri todo o conhecimento comercial, técnico e produtivo. 
Aos 28 anos era diretor geral desta empresa que empregava quase 100 pessoas.

A ideia de criar a minha empresa, surge algum tempo depois. Na altura trabalhava numa empresa de calçado como diretor comercial (onde estive por 2 anos), mas não estava completamente satisfeito. Acrescido a isso, tive o convite de uma marca internacional para os agenciar em Portugal, o qual aceitei e assim iniciei a minha carreira empreendedora.



 
neste sentido a empresa new concept shoes que diriges atualmente com a mariana, foi criada em 2014, em felgueiras. conta-nos mais sobre a trajetória fantástica da vossa empresa até à data de hoje, partilhando as suas atividades, os seus produtos, os seus serviços e sua dimensão em termos de mercado. sei que trabalham com grandes marcas internacionais de calcado.

Exatamente. A New Concept Shoes foi criada com a Mariana (minha esposa), que é natural de Fafe. A nossa empresa dedica-se ao agenciamento de marcas internacionais, com o objetivo de desenvolver e produzir calçado em Portugal. Iniciámos com o mercado Francês, alargando posteriormente para outros mercados, quer Europeus, quer Norte Americanos.

Neste momento somos 6 funcionários, trabalhamos em parceria com cerca de 25 fábricas de calçado, maioritariamente localizadas em Felgueiras, mas também em Guimarães e S. João de Madeira. 

Atualmente representamos cerca de 20 marcas internacionais, das quais destaco a Palladium, Azzaro, Redskins e Bisgaard.
 

Quais são as dificuldades que encontras na gestão do dia a dia da vossa empresa?

As maiores dificuldades prendem-se com a concorrência de países de mão-de-obra barata. Muitas marcas deslocaram as suas produções para Países Asiáticos e Africanos. As empresas portuguesas tiveram de se reinventar, apostando na qualidade superior e serviço de excelência.
Neste momento, o nosso maior concorrente é Itália, país onde muitas marcas de luxo continuam a preferir produzir, no entanto, temos vindo a “ganhar terreno”, apostando cada vez mais no design próprio, no melhoramento dos processos de industrialização e sempre com um serviço superior e qualidade de produto elevado.
Posso dizer que o calçado português é fashion!
 
 
Quais são as maiores satisfações e desilusões que tiveste, até agora, com a vossa empresa?

As maiores satisfações foi ver a empresa crescer de forma sustentada. É ver a satisfação dos nossos clientes e as suas marcas a crescer. É atrair o investimento em Portugal e fomentar o emprego.
Quanto a desilusões, não vejo as situações menos boas como desilusões, mas como uma oportunidade para aprender.
 

Quais são os próximos desafios para a vossa empresa?

Melhoria contínua dos serviços, oferta de design e criação de marca própria.

 



Quais são as características pessoais mais importantes para a vossa empresa? Isto é, que importância dás às relações externas na vossa empresa? E para ti como empresário, quais são os contactos mais importantes? Fornecedores, clientes, pessoas influentes?

Acredito que as relações pessoais são a base de qualquer negócio. Na New Concept Shoes, seguimos uma conduta de valores pessoais, que regem as nossas decisões.
Pessoalmente considero todos os contatos importantes. As empresas são feitas pelas pessoas que nelas trabalham, toas as pessoas envolvidas no ramo são importantes para atingirmos o resultado final pretendido.
Pelo que respeito de igual forma um fornecedor, fabricante ou cliente. Só em equipa e respeito poderemos singrar.
 
 
Como te vês como pessoa? Como lidas com o fracasso e o sucesso?

Sou obcecado pela excelência. Sucesso é algo que procuro no que faço, quanto ao fracasso, como disse anteriormente, não vejo as coisas como fracasso, mas sim como uma forma de aprendizagem.
 
 
Consegues conciliar, no teu dia-a-dia, a vida profissional e pessoal?

Nem sempre é fácil, mas estou a trabalhar para equilibrar todas as áreas da minha vida. Acredito que para ser um bom profissional, necessitámos de equilibrar todas as outras áreas da nossa vida.
 
 
No teu percurso de empresário, queres partilhar um momento único positivo ou negativo ou até anedótico que te marcou?

Recordo-me de um episódio que aconteceu nas minhas primeiras viagens de negócio para o Sul de França. Só consegui ligação aérea por Genebra (Suíça). Quando cheguei, por volta das 23:30, aluguei uma viatura e pedi um GPS (na altura não havia telemóveis com Google maps e a maioria dos carros não tinham GPS). Acontece que os GPS estavam esgotados e a única opção era alugar uma viatura de luxo, a qual já incluía GPS. Mas como o valor era muito elevado, optei por pedir um mapa e seguir caminho. 
O destino ficava a 350 Km e desconhecia por completo o local do hotel. Cheguei a Lyon 3 horas depois, mas não sabia qual a saída que deveria tomar. Andei cerca de 2 horas de carro a tentar encontrar uma indicação que tivesse o nome da rua do hotel, até que já cansado, optei por desistir e dormir no carro, até aguardar que amanhecesse para pedir indicações a algum local. Por coincidência, mesmo em frente do local onde parei, tinha uma indicação que dizia: “Hotel Embassador a 1Km”.... o meu destino.

 



Se tivesses um conselho a dar a um jovem empreendedor perante o estado atual da Economia, qual seria?

O mundo está cheio de oportunidades para quem as quer aproveitar. Cria um sonho, elabora um plano e trabalha até o conseguires alcançar.
 

A crise atual associada à Pandemia COVID-19, afetou-vos na vossa forma de trabalhar? na competitividade da empresa, nas relações com os clientes? De forma negativa ou positiva?

Em termos de volume de negócio, felizmente não afetou. No entanto, a nível da forma de trabalhar sim afetou. Durante este período, as ferramentas como Zoom meeting, teams ou Skype, tornaram-se uma rotina diária. Na impossibilidade de viajar, a realidade virtual foi a solução para desenvolvimento de coleções e negócios com os nossos clientes.

Acredito que teve um impacto positivo, pois conseguimos superar um problema que nos parecia devastador. Para além disso, com esta pandemia, ficámos mais sensíveis ao nosso planeta e ao problema da poluição e destruição provocada pela mesma. Atualmente, apostamos cada vez mais em produção sustentável, usando materiais reciclados e produtos naturais.
 
 
Finalmente, transitando a nossa entrevista para uma parte mais pessoal, pretendia saber qual é tua visão sobre o setor do calçado na região, as suas fragilidades e suas potencialidades?

Como referi anteriormente, Portugal é um país extremamente atrativo para a produção de calçado. Quer geograficamente, quer como um país europeu que tem responsabilidade social com os trabalhadores. 
Receio que esta crise tenha aumentado a taxa de endividamento de algumas empresas, e é importante ter uma retoma rápida, para permitir o pagamento de empréstimos contraídos para fazer face a alguma quebra provocada pela pandemia.



 
tenho as seguintes perguntas e peço-te uma palavra ou frase de resposta para cada uma delas:

Hobbies?

Ler
 
Local de Férias preferido?

Vários, desde que sejam à beira-mar.
 
Adoras?

Desporto
 
Detestas?

O frio
 
Descreva o teu dia perfeito quando não estás a trabalhar

À beira-mar a contemplar o mar
 
Qual é tua música preferida?

Tenho várias... em cada altura da minha vida, há sempre uma música que me marcou mais
 
qual foi o filme que te marcou?

Will Smith : À Procura da Felicidade
 
um livro?

O Segredo
 
Prato preferido?

Tenho vários... gosto muito de comer J
 
Restaurante preferido?

Também tenho vários, dependendo do que quero comer.
 
PODES ME PARTILHAR 3 coisas que estão na tua lista de desejos?

Criar uma marca de calçado
Poder trabalhar de qualquer parte do mundo
Ajudar pessoas a concretizar os seus sonhos
 
Desporto preferido?

Futebol
 
Qual é o teu clube?

Benfica
 
Se não fosses empresário, eras?

Professor
 
Se tivesses a oportunidade de mudar algo no teu percurso profissional, seria o quê?

Não mudava nada
 
O que representa Fafe para ti?

A cidade que me acolheu e que me apaixonei com o decorrer do tempo
 
Se amanhã, fosses um eleito político local em Fafe, que medidas no setor económico ou noutro implementarias?

Apesar da na minha idade jovem, ter feito parte de quadros políticos da juventude, cedo me dececionei com a forma como os políticos agem/decidem, sempre a pensar em ganhar eleições. Não gosto também do “sistema” ainda atual.

Penso que tanto o país, como os distritos e concelhos, deveriam ser geridos como uma empresa privada. O recrutamento das pessoas a trabalhar no “sistema”, deveria ser bastante criterioso e apenas os melhores seriam selecionados.

Quanto a Fafe em particular, penso que está claramente parada no tempo, muito agarrada ao passado. É necessário criar condições para reter os nossos jovens e atrair investimento privado. Não querendo me alongar demasiado neste tema, penso que é tempo de mudar, renovar e inovar, aproveitando todas as potencialidades que o concelho nos oferece.
 
Qual é a tua regra de Ouro?

Trata os outros como gostarias que tratassem a ti
 
Há algo mais que gostarias de dizer, que não foi abordado?

Creio que não Filipe.

Agradeço-te e congratulo-te uma vez mais, por este tipo de iniciativa.


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