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domingo, 3 de março de 2024

Hora do Planeta promove campanha 'pequenas ações, grande impacto'


 Neste ano a Hora do Planeta, uma iniciativa da WWF, tem como finalidade incentivar as pessoas a irem além do gesto simbólico de desligar as luzes por 60 minutos.

Por isso lançou a campanha ‘pequenas ações, grande impacto’, a qual pretende que cada cidadão realize também durante o apagão (e/ou durante o dia da iniciativa) uma atividade (ou várias) que goste, de forma isolada ou coletiva, em prol do ambiente. O objetivo é mostrar como as opções individuais contam e como todas elas somadas são a chave para garantir um futuro mais sustentável ao Planeta.

Para promover a adesão a este movimento global, nas próximas semanas, a organização não-governamental vai disponibilizar um Banco de Horas no site desta ação (não no da WWF), no qual vai fornecer uma listagem de sugestões de ações de várias áreas e onde também cada indivíduo, empresa e município pode registar as horas doadas e as atividades que foram concretizadas. Esta contabilização decorre em tempo real.

Recorde-se que a Hora do Planeta é o maior evento mundial dedicado à consciencialização para a proteção do ambiente, decorrendo este ano a 23 de março — quase daqui a um mês —, entre as 20h30 e as 21h30 (hora local) em mais de 190 países e territórios (90% do mundo).

Em Lisboa, o Mercado de Alvalade irá acolher, a partir da 16h00, o evento oficial da WWF Portugal, o qual contará com animação, um concerto, workshops de sustentabilidade gratuitos e o desligar simbólico de um interruptor gigante. O programa completo será divulgado em breve.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Legislativas de 2024 - programas dos partidos com assento parlamentar para a área da Cibersegurança

 

Análise às Propostas eleitorais para as Legislativas de 2024 dos programas dos partidos com assento parlamentar para a área da Cibersegurança

A Cibersegurança emerge como um dos temas prementes nas agendas políticas contemporâneas, ganhando destaque nas propostas eleitorais dos partidos com assento parlamentar para as eleições legislativas de 2024. Neste contexto, é crucial analisar as nuances e convergências presentes nos programas partidários, que delineiam estratégias e compromissos para salvaguardar a sociedade no ciberespaço. Este estudo da CpC explorará as diferenças e semelhanças nas abordagens dos diversos partidos em relação à Cibersegurança, delineando as perspectivas e prioridades que moldarão o cenário político nesta área vital nos próximos anos. Diante do constante avanço tecnológico e das ameaças digitais em evolução, compreender as propostas eleitorais é essencial para avaliar como os candidatos e partidos planeiam enfrentar os desafios emergentes e proteger os interesses nacionais no mundo digital.

Diferenças e Semelhança nas propostas eleitorais para as Legislativas de 2024 dos programas dos partidos com assento parlamentar para a área da Cibersegurança
 

Diferenças:

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Salvaguardando o Quarto Poder: Uma Chamada à Acção para Preservar a Democracia através do Apoio à Imprensa Escrita

 


Não restam dúvida de que atravessamos hoje uma crise com potencial para ser fatal para toda a imprensa escrita. As dificuldades que atravessa actualmente o Global Media Group (que edita, entre outros, o Jornal de Notícias, O Jogo, o Dinheiro Vivo e a rádio TSF) são apenas as mais recentes de um problema que parece sistémico e que se levar à demolição do 4º poder irá colocar em causa a própria qualidade da democracia degradando-a até níveis insustentáveis e levando à transformação numa forma decadente e limitada.

Podemos ter um bom e exigente Poder Executivo, um activo e capaz Poder Legislativo ou até (não temos) um Poder Judicial de qualidade e rápido. Mas certamente que não teremos nenhum deles se não tivermos um Quarto Poder Moderador ou de Controle, mencionado por Montesquieu e que actue como um mecanismo de equilíbrio entre os três poderes principais.

Sem este Quarto Poder não haverá:
1. Fiscalização e monitorização das actividades do governo central, presidência da República e do poder local. Muitos casos de corrupção e abuso de poder ficarão no desconhecimento e, consequentemente, impunes com elevado prejuízo para a Justiça, para a Economia e para a qualidade de vida de todos os cidadãos.
2. Sem imprensa os cidadãos não terão informação de qualidade que lhes permita responder de forma adequada a emergências tais como a crise sanitária da COVID-19, não poderão tomar as suas opções eleitorais de forma avisada e em devida consciência e todos seremos mais facilmente manipulados por líderes populistas e/ou iliberais. A importância da imprensa pode, aliás, ser facilmente demonstrada quando observamos a forma como regimes como o húngaro, o russo ou o de Pequim colocam o controlo e a censura dos Media no centro da sua política e da repressão contra a liberdade de opinião e pensamento nos seus países.
3. Sem Imprensa não haverá Opinião Pública e sem opinião pública não teremos debate de ideias nem diversidade de opiniões nem uma sociedade democrática livre e dinâmica.
4. Não pode haver uma defesa dos direitos e liberdades individuais sem que o 4º poder sirva o seu essencial papel de guardião contra violações desses direitos e garantias. A importância dos problemas sociais, injustiças e questões críticas será diminuída e com essa redução será mais difícil fazer mudanças positivas e contribuir para o melhoramento activo nas políticas públicas.

A imprensa escrita tem um papel vital na promoção dos princípios fundamentais da democracia, contribuindo para a participação cidadã, a responsabilidade governamental e a proteção dos direitos individuais. A sua independência e liberdade são elementos essenciais para garantir uma sociedade livre e justa.

A crise da imprensa escrita tem várias razões, e as suas soluções podem variar dependendo do contexto específico de cada situação.:

1. Digitalização e alteração dos hábitos de leitura:
Implementar o modelo de consumo-por-texto em que cada jornalista e meio de comunicação são remunerados texto a texto numa percentagem a dividir por ambos. O pagamento seria feito através de uma conta-corrente onde o Estado faria um pagamento anual  e que poderia ser reforçado por cada cidadão por forma a aumentar a quantidade de notícias a que teria acesso.

2. Redução das Receitas Publicitárias Tradicionais:
Aumentar as circunstâncias em que empresas, sociedades, associações, autarquias locais e Estado são obrigados a publicitar eventos, concursos e editais na imprensa local e nacional.

3. Custos de Produção e Distribuição:
Financiar com dinheiros públicos a edição de jornais em papel reciclável e promover redes de recolha após leitura que garantam uma recuperação de papel próxima de 100%.
Criar incentivos à concentração da operação de impressão e distribuição de jornais, designadamente através de meios ecologicamente sustentáveis e adquiridos ao abrigo do Fundo Ambiental e que ficariam sob gestão partilhada das autarquias locais.

4. Incentivar os meios de comunicação social a aderirem a um protocolo comum que regule e limite a quantidade de texto publicado em notícias de acesso gratuito e livre na internet. Criar e aplicar coimas para todos os que violassem esse protocolo.

5. Reduzir drasticamente toda a fiscalidade que impende sobre a actividade jornalística e sobre os pagamentos à Segurança Social por parte de trabalhadores por forma a compensar os baixos salários que actualmente se praticam no sector.

6. Criar um regime de mecenato específico e estabelecer no IRS uma forma de os cidadãos contribuírem com uma parte dos seus impostos para um fundo nacional que sirva para financiar medidas de apoio ao jornalismo.

Estas soluções são amplas, abertas a alterações e muito genéricas, sendo que cada proposta pode precisar de abordagens específicas. Acredito que os apoios do Estado e das autarquias locais aqui propostos são uma forma de preservar a Democracia e de reforçar a sua Qualidade porque sem 4º Poder: Não pode haver a Democracia de Qualidade a que exigimos e à qual  temos direito.

Enviada como Petição à Assembleia da República
http://participacao.parlamento.pt/initiatives/3856

domingo, 9 de maio de 2021

FAFE UP - Portal Mais Transparência lançado


Foi lançado, no dia 28 de abril, o portal Mais Transparência uma plataforma que permite aos cidadãos consultarem a informação disponibilizada pelo Estado de forma mais acessível, reforçando a sua relação de confiança com a Administração Pública. 

O portal Mais Transparência arranca com uma área dedicada aos fundos europeus. Esta área temática vai disponibilizar, de imediato e de forma acessível, a informação sobre o Portugal 2020 e sobre o Plano de Recuperação e Resiliência, cuja candidatura foi recentemente submetida.

O portal foi desenhado como uma plataforma evolutiva, que ganhará novas funcionalidades e separadores, com informação relevante e de qualidade à disposição dos cidadãos, garantindo a sua acessibilidade, atualidade e usabilidade.



Após a primeira fase, seguem-se outras três até ao final do ano, que vão acrescentar novos segmentos de informação, designadamente sobre o Orçamento do Estado, contratação pública e atendimento nos serviços públicos.

A página de entrada do portal disponibiliza os principais indicadores de interesse para os utilizadores, bem como o resumo da informação disponível, o plano de evolução do portal e links para outros sítios relacionados com a transparência do Estado. 

Na área dedicada aos Fundos da União Europeia, o portal apresenta uma visão genérica do tema e trata os conceitos mais relevantes que lhe estão associados, facilitando a compreensão e a utilização pelos cidadãos.



A primeira área de destaque é o Barómetro: uma visão de genérica dos principais números sobre Fundos Europeus em Portugal, detalhando progressivamente os dados das áreas de investimento prioritárias, realizados por região e concelhos, evoluindo para o pormenor de cada projeto e beneficiários associados.

O portal tem um conjunto de funcionalidades associadas a cada uma das áreas de dados do portal que permitem detalhar mais a análise da informação, nomeadamente através da apresentação de gráficos, vistas em modo tabular, fichas técnicas e exportação de ficheiros.

Cada uma destas áreas temáticas do portal Mais Transparência é trabalhada em conjunto entre a equipa de projeto e a entidade especialista na respetiva área. 

No desenho do portal destacam-se três elementos facilitadores da consulta:

  • Pesquisas de texto livre e filtros, fornecendo ao utilizador todos os meios necessários para encontrar a informação que procura.
  • Cores, padrões, fontes e diferentes formas de acesso a dados, permitindo a visualização em modo gráfico, em tabelas, ou através do download de ficheiros.
  • Compatibilidade com diversos tipos de dispositivos. 

O portal Mais Transparência tem o selo de ouro de acessibilidade, que assegura o cumprimento dos requisitos de acessibilidade digital com respeito pela inclusão de todos os cidadãos portadores de deficiência ou de outras limitações.


Aceda AQUI ao vídeo explicativo sobre o portal.


Aceda AQUI ao portal Maris Transparência 








Fonte: Governo de Portugal

terça-feira, 23 de março de 2021

ESTENDAIS VIRTUAIS

Cada vez há menos estendais, destes, corridos a corda de lado a lado e estendidos ao sol para toda a gente ver. Cada vez há menos... já ninguém quer as intimidades expostas a comentários alheios e críticas minuciosas ao borboto do pijama ou ao avental desbotado. Restam poucos. Destes estendais que se pavoneiam em frente de quem passa e não têm medo do que mostram, porque foi gasto pela vida honesta e purificado a sabão clarim. Gente de coragem esta, dos estendais espetados a ferro no caminho, corridos a corda de lado-a-lado e estendidos ao sol para toda a gente ver. A forma como esticam os lençóis, como prendem as molas, como dobram os lenços ou alinham as cores das camisolas. Gente honesta esta… dos estendais!

Cada vez há mais máquinas, lavandarias e varandins que nos tiraram do caminho e nos fecharam em paredes de cimento. Agora, já não torcemos a roupa de forma coordenada, uma mão para a direita e outra para a esquerda para libertar a água, como se nos apetecesse torcer algo ou alguém… Já não sacudimos os tecidos, duas e três vezes, da frente e do avesso, para libertar a pressão… Já não “solhamos” a roupa branca para desencardir a tristeza que trazemos na alma ou nos pesa o coração. Agora enfiamos tudo para um quadrado, aberto por um círculo e aguardamos que as voltas intermitentes varram a sujidade e nos tragam de novo o que lá metemos. No fim das voltas, abrimos a porta para um amontoado de peças soltas e engelhadas que não distinguimos, nem queremos sequer ordenar. Não esticamos, prendemos, dobramos ou alinhamos como aquela gente… a dos estendais!

Cada vez há mais estendais virtuais. Desses… corridos dedo acima para toda a gente comentar, estendidos à vista para toda a gente ver. Estendais de roupa usada, onde nada se sente da pureza da lavagem à mão ou da frescura do aroma a sabão. Toda a gente quer os comentários alheios e as críticas minuciosas ao pijama acetinado ou ao avental lustroso. E são muitos. Destes estendais que já não usam molas, nem escolhem o sol, nem sentem o vento. Aqui já não trocemos, sacudimos ou alinhamos como aquela gente, a corajosa e honesta... os poucos... dos estendais! 

Clara Paredes Castro






terça-feira, 9 de março de 2021

O MULHERIO

Na ressaca da celebração do dia da mulher e com o aproximar das eleições volta sempre a velha questão do envolvimento das senhoras na vida política. As autárquicas são muitas vezes a porta de entrada para um universo que só teria a ganhar com a aposta no feminino, mas esta porta não tem depois uma continuidade, faltando a escada de crescimento na carreira política.

Sendo Portugal, um dos países da europa com a maior taxa de mulheres trabalhadoras desde os anos 60, não se entende que esta proatividade, dinamismo e presença não se reflitam nas opções políticas. A introdução das quotas mais parece uma medida de estimulação idêntica às do desemprego, imposta por necessidade e como uma forma de resolver o assunto em termos estatísticos, sem grande perspetiva estratégica do que possa ser o futuro. Se não vejamos…. começamos por eleger maioritariamente meninas para delegadas de turma, mas são os rapazes que vão para a presidência da associação de estudantes. As professoras estão em maioria nas escolas, mas são os homens que ocupam os cargos de direção, as mulheres proliferam no desporto como atletas e treinadoras, mas poucas chegam à direção dos clubes. As senhoras estão ativamente nas empresas, nas indústrias, nos serviços, mas continuam a estar em minoria nas direções sindicais. Por outro lado, quem é maioritariamente o encarregado de educação? Quem vai às consultas com os filhos e dependentes, quem presta apoio na velhice? Quem nos atende nos hospitais? Quem nos recebe nos supermercados?

O que é que desmotiva as mulheres a querem mais, a serem mais ambiciosas, a estarem mais presente na gestão, na direção e também na vida política? A verdadeira igualdade de oportunidades é uma questão muito mais cultural do que legal e é por isso, que o empoderamento feminino deve ser estimulado bem cedo. Vamos incutir nas meninas a importância da liderança, vamos mostrar às adolescentes como é revigorante ser participativa, vamos permitir às mulheres serem continuamente interventivas e assim reconhecer, quem abre ao mundo o caminho da vida. Tivemos uma padeira de Aljubarrota a mostrar como se traça o caminho da vitória e enfermeiras a lançarem-se de paraquedas nos anos 60 e ainda temos de andar a fazer contas para deixar as mulheres liderar, como se fosse um free pass com data de validade até darem provas de merecimento. São mais de 40 décadas de democracia! Ramalho Eanes em 1979 indigitou Maria de Lurdes Pintasilgo e depois? Durão Barroso foi o primeiro a nomear para pastas de alta relevância, como as finanças e os negócios estrangeiros e depois? Passos Coelho indigitou mulheres para cargos tradicionalmente masculinos como a defesa, administração interna, agricultura, finanças e justiça e depois? Hoje em dia, apenas 1/3 do parlamento tem presença feminina e em 308 presidências de câmara apenas 32 são de mulheres. Isto representa um recuo civilizacional que legitima a ausência de participação das mulheres na política e contradiz a natureza que nos deu mais resistência à dor, maior resiliência para ultrapassar obstáculos, uma inteligência prática e sensibilidade para humanizar a política e o mundo. Precisamos das mulheres, na liderança, na tomada de decisões, no reforço de um regime democrático paritário, justo e inclusivo, para uma agenda pública na perspetiva feminina. A melhor forma de começar tudo isto? Por nós… mulheres! Se não somos nós a valorizar o feminino, como queremos que os outros o façam? Miguel Esteves Cardoso dizia que a mulher portuguesa é melhor que o homem, não por ser mulher, mas por ser mais portuguesa. Está na hora de assumirmos perante a nossa nobre nação, esta nobre missão de ser mulher e nela, elevar a vida pública, empresarial, desportiva, social e política.  

Clara Paredes Castro

(republicado a partir de um original de outubro de 2017, in Notícias de Fafe... e ainda incrivelmente atual)











Foto: Reprodução/Instituto Francês - If Cinéma

terça-feira, 2 de março de 2021

CONSTRUIR PONTES

Há uma grande diferença entre ser oposto ou ser diferente, ser invés ou ser distinto, ser contrário ou ser alternativa. Há uma grande diferença entre o atingido e o superado, entre o concluído e o sonhado, entre o executado e o inexcedível. Há uma grande diferença entre opinião e decisão, entre hesitação e concordância, entre juízo e aceitação, entre coragem e inação. E nesse lapso da diferença estamos nós! Pessoas. Neste limbo que separa os “entres”, os “ses”, os “mas”, os “talvez”, e os “quem sabe um dia”, desta vida. No espaço que intermeia os desafios, os erros, a coragem, o perdão, as aproximações e os esquecimentos. E a simplicidade da vida está precisamente na forma como cada um escolhe olhar para este fosso … aumentando o caudal ou construindo pontes. 

Porque a velocidade da vida e aquele instante onde tudo se perde, vêm muitas vezes recordar-nos a importância dos abraços de regresso das costas voltadas. Porque as distâncias às vezes são só proximidades esquecidas, as margens são ténues linhas desenhadas à luz da razão e quase nunca é sobre ter, mas sim sobre essa forma de vida, livre e apaixonante, de simplesmente ser... E somando tudo isto, será sempre o bater firme do coração a lembrar aos fossos, aos limbos, aos distantes, aos desavindos, às diferenças, aos opostos ou aos impossíveis, que o resultado não é tudo, porque tudo o que de mais importante temos na vida, está sempre por um triz…


Clara Paredes Castro










terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

O ARCO ÍRIS DA VIDA

Escolhido como o símbolo máximo da resistência à pandemia, o arco-íris salta do imaginário infantil para o nosso quotidiano, como uma espécie de representação de uma sonhada vitória da luz sobre a escuridão. Na verdade, a cor sempre teve esse efeito em nós. Associamos cores às emoções, às sensações, aos gostos e paladares, aos sentidos, às estações... As cores identificam posições políticas, escolhas clubísticas, ruborizam rostos de esforço, de prazer ou de timidez, empalidecem pessoas por medo, doença ou tristeza, identificam chakras, rotulam vinhos, mostram áureas, ditam moda, escondem defeitos. A cor posiciona marcas, representa países, ajuda a mudar o visual. A cor tem tons e intensidades como a música, tem variações como o humor, identifica géneros em azul e rosa e até dá nome a peixes como o salmão. Passamos as noites em branco, estendemos tapetes vermelhos, trememos como varas verdes e temos sangue azul. Escolhemos dar carta branca, ver a vida cor de rosa ou ficar verdes de inveja. O sorriso é muitas vezes amarelo e o humor pode bem ser negro.

Processamos pelo nervo ótico um feixe de radiação eletromagnética que, mais que uma frequência de onda, nos reflete um estado de espírito. Na verdade, são os nossos olhos que definem a cor, mas é muitas vezes a nossa alma que a identifica. Quem nunca sentiu a vida a preto e branco quando tudo à volta era colorido, quem nunca se viu sem luz quando tudo parecia tão claro, quem não conhece alguém que perante um arco-íris só consegue dizer que chove.

As cores têm esse dom de serem apreciadas de forma diferente por todos, com gostos e privilégios, com escolhas e decisões. Uma mulher identifica 40 tons de verde, desde o “musgo” ao “limão”, enquanto que para um homem adjetivar um “verde tropa” já é uma exceção. O sol na realidade é branco e a atmosfera da terra faz com que pareça amarelo. ​As cores são essa suave contradição que serve para nos mostrar que a realidade não é preto no branco e há um Joan Miró dentro de cada um de nós, pronto a dar-lhe os tons, as variações e as alternâncias… Sim! Somos nós que definimos o que pode ser garrido, deslavado, caloroso, suave, envolvente ou apenas escuro e sombrio… basta percebermos que o mundo é maravilhosamente colorido quando escolhermos olhar a vida pela lente da cor e não aceitamos ficar presos a um daltonismo de alma, que nada identifica ou distingue. Porque as pessoas são também elas cor... com total ausência de luz ou de uma claridade que se sobrepõe a todas as outras. Quentes, frias ou neutras, muitas vezes numa pouco definida e indistinta sombra de cinzas. Mas há sempre um arco-íris… e felizes os que têm essas pessoas das sete cores… as que se misturam em água e sol quando tudo à volta parece escurecer, as que se erguem em curva para dar cor à vida, as que são vermelho-amor, laranja-sabor, amarelo-luz, verde-esperança, azul-imensidão, índigo-intuição e violeta-infinito. Porque são essas as que nos relembram a cada aparição, que é possível a tal vitória da luz sobre a escuridão. 

 Clara Paredes Castro



terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

“Carrum navalis” ou “carnem levare”?

Ao que parece nem para a origem do Carnaval há consenso. Os romanos tinham algo parecido com os atuais carros alegóricos, os chamados “carros navais” em formato de navio de madeira, onde levavam homens e mulheres nus a desfilar pelas ruas. A versão mais comum diz que o termo vem da expressão “carnem levare” que significa algo como “ficar livre da carne”, uma explicação que tem mais a ver com os cristãos, porque a data marca a despedida dos excessos e o jejum que se aproxima na Quaresma. Mas as origens e desdobramentos do Carnaval não têm necessariamente a ver com a religião. O Carnaval é uma festa de origem pagã e na antiguidade simbolizava a passagem do inverno à primavera, da escuridão à luz, do velho ao renascido. Nos hebreus era a festa das sortes; nos gregos antigos, as “bacanais”; em Roma, as “saturnais”, dedicadas ao deus da agricultura e para os gauleses, a celebração da grande despedida do inverno. Em comum, a festa, a música, a dança, o disfarce… e os excessos! O Carnaval permitia aos foliões escapar das punições usando disfarces, como em Itália, onde no século XV os nobres usavam máscaras para poder andar na gandaia nos bailes da corte, sem que se descobrisse a sua identidade.

Certo é que o Carnaval é sinónimo de reversão, com as normas de comportamento a serem suspensas e aceites… infelizmente apenas por 3 dias! Desde os primórdios, o Carnaval é a época onde foliões e carnavalescos aproveitam para satirizar a situação político-económica, chamar a atenção para questões de interesse social, recortar importantes acontecimentos históricos ou simplesmente vestir as roupas da mulher e andar de tacão alto, com os pêlos a saírem da meia de renda e o batom a rivalizar com a barba de três dias. Vá lá… é carnaval! Os foliões podem sempre alegar que a celebração afeta o seu comportamento, deixando-os enlouquecidos. E convenhamos, a loucura é sempre uma boa explicação para os excessos. E depois, nada como um bom desvario seguido de um ato de penitência… uma cruz de cinza na testa e eis por excelência, a quarta-feira de arrependimento do pecado e do início do jejum carnal.

Hoje as máscaras são sinónimo de proteção, mas os disfarces continuam por aí, os excessos são cada vez mais desejados e a liberdade de festejar sem estar mascarado é um sonho adiado. Sem corso carnavalesco podemos sempre apreciar o desfile de alegorias em que as redes sociais se transformam e basta um olhar mais atento para ver de tudo: as sátiras, os porta-bandeiras, os sambistas, os bobos da corte, os palhaços, os travestis, … todos à espera de um bom entrudo chocalheiro, onde as figuras mascaradas todas de igual se esbarram umas nas outras, cometendo as mais diversas tropelias, só para ver quem chocalha mais alto! Afinal não é só no Carnaval... na vida real, ao que parece, também ninguém leva a mal...certo?!

Clara Paredes Castro



terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

LIVRO LIVRE

Numa época em que estamos em casa e com mais tempo livre, lamento que não se implemente nada a nível cultural, como por exemplo, um incentivo à leitura. A biblioteca municipal está fechada, mas quando se fecha uma porta deve pensar-se em abrir uma janela e esta é uma oportunidade única para se implementar na biblioteca, a entrega ao domicílio. Quando em maio do ano passado foram um exemplo na adoção e implementação das alterações na utilização dos equipamentos e serviços das bibliotecas, em período COVID-19, deveriam desde logo, ponderar a preparação para as vagas seguintes da pandemia. 

O catálogo está disponível, já é possível fazer requisições por telefone e por e-mail... era só torná-la "itinerante". Estabelecer um dia para entregas, fazer um circuito de distribuição obedecendo a normas de segurança, usar invólucros possíveis de descartar. O leitor poderia aceder ao catálogo online a partir de casa, escolher o que pretendia requisitar, enviar um correio eletrónico com as referências e agendar a entrega. Podia estabelecer-se o limite máximo de livros, os dias de recolha, as regras e cuidados nas entregas. Há vários exemplos por esse país fora: Maia, Póvoa de Varzim, Alcácer do Sal, Santo Triso, Lousa, Mealhada, Felgueiras… Não é assim tão difícil! Porque não usar-se a Polícia Municipal para ajudar nas entregas, criar uma rede de voluntários ou, melhor ainda, apoiar ao mesmo tempo os taxistas de Fafe e pagar-lhes este serviço. Um duplo incentivo, cultural e económico! 

Mais! Porque não convidar as boas gentes do teatro local, artistas, poetas e escritores a declamarem poesia, a dizerem textos em pequenos vídeos, a gravarem reflexões sobre leituras interessantes para várias idades e colocá-las nas redes sociais do município ou disponibilizarem-nas através dos e-mailes institucionais dos alunos, em articulação com os agrupamentos.

Mais ainda... nesta altura que toda a gente faz arrumações nas gavetas e estantes lá de casa, porque não fazer um espaço de doações, onde a mesma equipa que entrega as encomendas, também recolhe livros usados. A Biblioteca Municipal criaria um espaço, junto com as equipas de ação social, onde se fizesse a seleção do que se podia oferecer a famílias, a associações culturais, bairros, juntas de freguesia, etc. Cultura, solidariedade, educação, consciência ambiental, flexibilidade, partilha! Tão bom falar de cultura em movimento... tão simples falar de liberdade em confinamento. Basta tornar o livro livre, soltá-lo das estantes, desviarem-nos os olhos dos ecrãs, fazerem-no chegar até nós, onde estamos agora, ou pelo menos onde devemos estar... em casa mas com um bom livro por companhia.

 Clara Paredes Castro





terça-feira, 26 de janeiro de 2021

ESCREVER FUTURO

Estamos em confinamento é certo, mas porque não aproveitar para fazer mais pelo nosso território e pelas suas gentes? Tal como perceber o que poderia ser melhor para si, o que sugerir no seu bairro, na vossa aldeia, no nosso concelho, em todo o país! Conhecer melhor o nosso património, as suas estruturas, o que gostariam de ter na vossa terra. Vejam. Leiam. Observem. Conheçam a nossa história e analisem o presente.... pensem bem no que querem para o futuro. Vamos fazer uma corrente de ideias, de novidade, de soluções! Ver exemplos de outros locais, de outras cidades, do mundo! Quero isto. É disto que precisamos! Publiquem as vossas sugestões com a referência QUERO ISTO PARA FAFE (#queroistoparafafe), criem grupos com amigos, com vizinhos, partilhem as vossas experiências profissionais e pessoais que sejam aceleradores da mudança, do impulso, da novidade. Vejam os livros que podem emprestar, as músicas que devem sugerir, o que temos em casa que podemos dar, o que precisamos muito de receber. Ouçam pessoas. Escutem-se a vós mesmos... 

É desta ação social que precisamos. A que sai de cada um de nós, identificada, personalizada e direcionada. A que faz acontecer.... O que nós podemos fazer individualmente pelo bem comum, vai muito além do que a sociedade tem como resposta e estar sentado à espera que tudo se resolva em gabinetes ou reuniões já não nos serve. Querem diferente? Sejam diferentes! Fujam da mesmice, do costumeiro, da crítica ligeira e do banal. Está na hora de baixarmos o dedo apontado e segurar numa caneta para escrever o futuro. O vosso e o de todos nós.  


Clara Paredes Castro



Foto: creativeart www.freepik.com 





terça-feira, 19 de janeiro de 2021

UM VOTO DE CONFIANÇA

Domingo não vamos só votar, não vamos só colocar uma cruz, não vamos só cumprir o nosso dever cívico… domingo vamos escolher! E essa é talvez a maior das nossas liberdades, a escolha! O poder de optar, indicar, preferir e selecionar quem nós queremos ou o que nós queremos é um ato de autonomia, emancipação e independência demasiado poderoso para permitirmos que outros o façam por nós, que sejamos iludidos com conversas sobre cores, com a adjetivações de pessoas ou com a instrumentalização ideológica.

Estarmos com um papel em branco à nossa frente, isolados numa caixa, a sós com a nossa consciência não é só um momento de reflexão, é a demonstração da nossa força enquanto peças da sociedade, é um ato de contrição onde nos colocamos perante o sistema que nos rege e dizemos de nossa justiça o que queremos… para nós e para os outros! Se a democracia é entendida como um governo do povo ou o governo da maioria, não se pode pensar em democracia sem a participação da sociedade nas decisões políticas.. e se não concordamos com o menu que nos colocam à frente, que possamos deixá-lo em branco, mas com a coragem de o olhar em frente e dobrá-lo em quatro, como um guardanapo depois de uma refeição. 

A importância do voto é tão só a importância da pertença, do ser societário, do respeito pela nossa liberdade e pela liberdade dos outros, da honestidade da escolha, da confiança no gesto. Winston Churchill dizia que "a democracia é o pior dos regimes, à exceção de todos os outros", que a abstenção não seja o pior dos nossos limites, porque a liberdade não pode ser uma exceção sobre todos os outros.


Clara Paredes Castro











terça-feira, 12 de janeiro de 2021

A VIDA ÀS DÉCADAS

Ver a nossa vida em blocos de décadas é um exercício interessante. O que nos diz o mundo aos 10, 30 ou 70 anos? Como somos nesses períodos? O que trouxemos até hoje? O que aprendemos? O que perdemos? Hoje, vejo-me num meio termo entre a 4.ª e 5ª década e percebo a curiosidade dos 10 anos, a coragem dos 20, a força dos 30 e a experiência dos 40. E este simples paralelismo faz-me perceber que precisamos de fazer um exercício de análise das próximas décadas, para nos prepararmos para elas. Não só com o que queremos à nossa volta, mas sobretudo com aquilo que nós podemos dar de volta! E se o que vemos e ouvimos não nos emociona então vai ser preciso escolher entre espernear como se tivéssemos 10 anos, manifestar como se tivéssemos 20, revoltar como se tivéssemos 30 ou fazer o que os 40 nos aconselham...  unir, argumentar, sugerir, contrapor, pensar e... agir! Ver a vida através das décadas não é só adjetivar o tempo, é agir com paciência, é aceitar os desafios e sonhar com esperança! Hoje, amanhã ou nas décadas que estão para vir, num compromisso infinito com o que ainda podemos viver e sem que nos digam que ainda há impossíveis de conseguir. 

Clara Paredes Castro



segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Convocatória – Eleições dos corpos sociais para o triénio 2021 / 2024


Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fafe 

Convocatória – Eleições dos corpos sociais para o triénio 2021 / 2024
A realizar no dia 30 de janeiro de 2021, na sede da Associação, Avenida do Brasil, das 14 horas às 19 horas.




terça-feira, 29 de dezembro de 2020

O PODER DE 2021

Se 2020 parece que nos fugiu das mãos, em 2021 teremos muito poder sobre elas! O poder de eleger o novo Presidente da República, o poder de decidir quem queremos aos destinos da nossa autarquia, o poder de escolher quem queremos a gerir a nossa junta de freguesia, o poder de ser vacinado, o poder de voltarmos a ser livres, o poder de escolher continuar a viver, com responsabilidade. Se 2020 parece que nos paralisou, em 2021 voltaremos às decisões!  Decidir como voltar aos beijos improvisados, aos abraços instintivos, aos encontros desejados. Decidir como reescrever a nossa história, como reerguer um país, como aprender de novo a caminhar. Decidir como queremos o nosso presente e como vamos construir futuro…

Sê bom 2021! Cicatriza as feridas abertas. Arruma a desordem. Apaga os medos. Reacende a vida. Traz-nos evolução, liberdade, movimento. Se 2020 nos ensinou a valorizar, a reagir, a pausar… vê lá o que tu nos ensinas. Dá-nos pelo menos a maior das certezas, de que o tempo e os afetos são as melhores das nossas medicinas.

Clara Paredes Castro



terça-feira, 22 de dezembro de 2020

O NATAL É QUANDO, AFINAL?

Muito se tem falado do atípico natal deste ano e de todas as contingências para o celebrar. Desde sempre ouvimos dizer que o natal é quando o homem quiser, mas agora apercebemo-nos que nem isso!

A história diz-nos que o natal começou como uma celebração do solstício de inverno, nas festas em honra de saturno, o NATALIS INVICTI SOLIS ou aniversário do sol invicto. O Papa Júlio I resolveu antecipar a festa do nascimento de Jesus de 6 de janeiro para esta data, numa tentativa de converter os romanos ao cristianismo, sem deixar de lhe associar uma festa. Os romanos definitivamente sabiam gozar bem a vida! Além disso, Dionísio o monge erudito matemático, criador da contabilização AC/DC (Antes de Cristo e Depois de Cristo) não considerou o ano 0 na sua contagem, porque na Europa não se conhecia este número criado pelos árabes. Numa boa teoria da conspiração, à moda de Hollywood, poderíamos até dizer que afinal ainda estamos em 2019! Sabemos que as cores associadas ao natal têm alguma ligação histórico-cristã, porque o vermelho simboliza o sangue de cristo, o dourado a luz e o verde, o renascimento e a esperança. Mas nem na história dos magos nos podemos fiar, porque na bíblia não é explicita a referência aos três. Ouro, incenso e mirra foram os presentes entregues, mas só na idade média aparecem os nomes e o upgrade para reis.

Conclui-se, portanto, que sim, o natal é quando um homem quiser, como, quando e onde puder! Mas acima de tudo que o natal são sabores, celebrações e memórias e essas ninguém nos pode tirá-las. Seja o sabor do jantar de família na tasca depois de fechar as portas ao povo, seja o cheiro do lume no natal da aldeia, de prato na mão porque não cabíamos 40 à mesa, seja o bacalhau assado na brasa, comido com broa no almoço da véspera, para dar energia à tarde toda passada em frente ao fogão.  

Só quando nos deixamos crescer é que nos esquecemos de tudo isto e queremos voltar a ser crianças. Só quando deixamos de escrever desejos de natal é que nos esquecemos da alegria que é receber. Só quando deixamos de sonhar é que nos esquecemos do que realmente queremos oferecer aos outros e não é na lista de compras que o vamos encontrar. Na França, por exemplo, é tradição de natal irmos fazer as pazes com alguém, simbolizando a reconstrução de elos e o início de uma nova jornada. Já na Irlanda faz-se um percurso a 12 pubs e deixa-se torta de carne e cerveja Guiness na chaminé ao Pai Natal, em vez das bolachinhas e do leitinho morno. 

Seja em tradição, em história, em memórias, seja em contagem AC/DC (Antes do Covid e Depois do Covid) o que realmente interessa é o natal que cada um de nós é capaz de viver dentro de si, celebrando um aniversário de luz invicta, despertando a capacidade de procurar a estrela que guie a direção dos seus sonhos e entregando o "ouro", "incenso" e "mirra" a quem mais amam, sejam eles traduzidos em tempo, espaço, amor ou apenas e só em futuro.

Clara Paredes Castro 











terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Edital : abertura de processo eleitoral para os órgãos sociais da AHBVF, triénio 2021/2024

 Edital : abertura de processo eleitoral para os órgãos sociais da AHBVF, triénio 2021/2024


O presidente da Assembleia Geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fafe, vem, ao abrigo do disposto no nº1, do artigo nº 70, dos estatutos esta Associação, declarar a abertura do processo eleitoral para os orgãos sociais da instituição, referentes ao triénio 2021/2024.
Os cadernos eleitorais estarão disponíveis para consulta a partir do dia 28 de Dezembro de 2020, na Secretaria da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fafe. 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Prémio "PALCO DE TERRA 2020" para Orlando Alves, presidente do Grupo Nun'Álvares de Fafe


Prémio PALCO DE TERRA 2020 para Orlando Alves

Teatro de Balugas
  atribuiu o prémio " PALCO DE TERRA 2020", na categoria Personalidade, ao ator e encenador Orlando Alves por uma vida dedicada ao associativismo, com destaque para o Grupo Nun'Álvares de Fafe, em especial para o trabalho desenvolvido no Teatro Vitrine.
O Prémio PALCO DE TERRA é uma iniciativa da companhia Teatro de Balugas (Barcelos), cuja primeira edição se realizou em 2017. É um galardão concedido anualmente para reconhecer e agradecer o trabalho e o esforço de pessoas e instituições no âmbito do teatro realizado no meio rural e da criação artística sobre o Minho.

fonte: teatro de balugas 

terça-feira, 3 de novembro de 2020

ISTO NÃO ESTÁ BOM NEM PRÁ INGRÍCULA

Vou falar do que não sei…. como se costuma dizer, não percebo muito de ingrícula. Mas sei que a minha terra é marcadamente rural, que tem esse jeito e trejeitos de ser evoluída, mas com a mão ainda no machado, o olhar no calendário das colheitas e o cheiro de quem adivinha a chuva, se as nuvens fogem para barroso. Por todas as freguesias há ainda um gosto especial de fabricar as terras, de ter produtos próprios pró caldo e ouvir o cantar dos galos pela manhã. A cidade também ela mantém muitos recantos retalhados e agora, com a pandemia, houve até quem passasse a ter pequenas hortas nas varandas dos prédios.

Isto a propósito do mercado biológico de Fafe que, sempre que acontece, me faz sentir uma lufada de ar fresco em relação ao que se pode fazer para valorizar os produtores locais que tão arduamente plantam sementes de saúde e colhem produtos de qualidade. Isto a propósito do quão pouco isto é para tudo o resto. Volto a dizer… falo do que não sei, mas ainda bem! É preciso que quem não sabe, pergunte muito, para os que pensam saber tudo, oiçam alguma coisa. Como se apoiam os agricultores desta nossa terra, como se promove a sua formação, o seu escoamento de produtos, a sua especialização? Como se incentivam os jovens agricultores, as grandes produções que, fruto dos apoios europeus, começaram a despontar concelho fora e muitas delas a precisar de enxerto para se manterem de pé? Dos pequenos, sei de muitos que são do tempo da carreira João Carlos Soares, que os trazia às quartas-feiras à feira para escoar as suas tronxudinhas, as nabiças, os ovinhos caseiros e os tomates fresquinhos e que agora, na iminência do fecho das feiras e da circulação mais limitada do povo, vão usar os produtos para alimentar os porcos, também eles a rarear cada vez mais.. assim como a “malhada” e a “marela” que tanto mugiam por esse concelho adiante, enquanto largavam seus fertilizantes naturais estrada fora…

Sei pouco sobre agricultura, mas sei que podíamos fazer muito mais! O nosso prato típico digno de festival continua sem ter a certificação da carne que lhe dá origem, uma ambição da confraria ainda não concretizada. Sei que os riscos ambientais do abandono dos terrenos agrícolas são enormes, sei que Cooperativa Agrícola de Fafe e a Cooperativa dos Produtores de Mel de Fafe tentam fazer o seu papel e com muita dificuldade. Sei que a agricultura biológica apresenta potencialidades económicas interessantes, pelo aumento da procura, mas que tem de ser enquadrada com uma ligação ao turismo rural e a uma rede sustentada de criação de produtos com qualidade.

Isto não está bom para ninguém, nem prá ingrícula, mas até que podia estar! E não é com olhinhos no céu à espera que as nuvens pr’a Amarante tragam tempo galante... É preciso preparar a terra, fazer a sementeira, regar, orar e ter paciência! Porque, como dizia Vergílio Ferreira, (isto para não ter de citar Saint Exupéry e a sua rosa), “O tempo que passa não passa depressa. O que passa depressa é o tempo que passou. 

Clara Paredes Castro


Fonte: retirada de um artigo digital (aqui)

 

Fonte: Manuel Meira / Município de Fafe