sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Por que a Floresta Amiga não usa o termo “sustentável”

 

Texto: Sandra de Sá


Por que a Floresta Amiga não usa o termo “sustentável” — e porque essa

palavra deve ser tratada com rigor

A marca Floresta Amiga, iniciativa fundada por Sandra de Sá e dedicada à

plantação de árvores em Reservas Ecológicas Nacionais (REN) portuguesas

por cada participante aderente, assume publicamente uma posição que é,

simultaneamente, ética, legal e técnica: a Floresta Amiga não utiliza o termo

“sustentável” em nenhuma comunicação ou estratégia de marketing.

E explicamos porquê.


A palavra “sustentável” tornou-se sensível — e por boas razões legais:

Na União Europeia, o conceito de “sustentabilidade” deixou de ser uma

expressão vaga, usada livremente no mercado. Passou a ser uma alegação

regulamentada e protegida pela legislação de defesa do consumidor.

A nova diretiva europeia para proteção do consumidor — aprovada em janeiro

de 2024 pelo Parlamento Europeu — proíbe alegações ambientais genéricas

como:

“eco-friendly”

“verde”

“climate neutral”

“neutro em carbono”

“sustentável”

… sempre que estas não possam ser comprovadas com dados verificáveis,

metodologia robusta e auditoria independente.

Fonte: Parlamento Europeu

A mesma diretiva estabelece ainda que:

-só podem ser usados rótulos ambientais que façam parte de sistemas de

certificação reconhecidos;

-alegações ambientais baseadas apenas em compensações de carbono são

proibidas, quando não acompanhadas de prova direta de redução real de

impacto.

Fonte: Parlamento Europeu

Simultaneamente, análises da Comissão Europeia sobre alegações ambientais

mostram que mais de 50% das “green claims” no mercado europeu são

enganosas, vagas ou não verificadas.

Fonte: European Commission – Green Claims Initiative


Por estas razões, o uso de “sustentável” deixou de ser apenas um problema

moral: tornou-se uma questão regulatória e de proteção do consumidor.

Sustentabilidade verdadeira exige o que nenhum produto consegue garantir

sozinho.

Se considerarmos a sustentabilidade em sentido rigoroso — como equilíbrio

entre produção humana e ecossistemas naturais, ao longo de toda a cadeia de

valor — então a palavra “sustentável”, aplicada a produtos ou serviços de

consumo, corre o risco de ser falsa por definição.

Para que algo fosse “sustentável”:

-a extração de matérias-primas teria de ser neutra ou regenerativa;

-o fabrico teria de ter impacto mínimo ou nulo;

-o transporte não poderia gerar emissões acumuladas;

-o uso não poderia causar efeitos colaterais ambientais;

-o fim de vida teria de fechar o ciclo sem perda, poluição ou desperdício.

A prática real demonstra que todos os produtos têm pegada ecológica. Não

existe consumo isento de impacto. Portanto, usar “sustentável” como claim

absoluto não é apenas arriscado — é muitas vezes tecnicamente impossível de

provar.

A posição da Floresta Amiga: não prometer o impossível.

A Floresta Amiga é um selo 100% de ação real: por cada participante aderente,

plantamos árvores reais, em solo real, em reservas ecológicas nacionais, com

relatório de ação real. Mesmo assim, mesmo plantando árvores, mesmo agindo

localmente com impacto direto, afirmamos de forma transparente:

Não somos — nem pretendemos alegar ser — um selo “sustentável”.

E por três motivos:

1. Humildade ecológica

Reconhecemos que, apesar do nosso esforço, as nossas ações são pequenas

face à escala da crise ambiental global. Plantar árvores é necessário, mas

insuficiente. É um contributo, não uma solução total.


2. Honestidade perante o consumidor

Não queremos atribuir ao consumidor a sensação enganadora de que,

adquirindo um produto marcado com o nosso selo, está a compensar

integralmente a sua pegada ecológica. Isso seria greenwashing, e nós

recusamo-lo totalmente.


3. Rigor legal e transparência absoluta

Seguimos as orientações europeias que exigem que qualquer alegação

ambiental seja específica, verificável e mensurável — nunca genérica.

Portanto, dizemos exatamente o que fazemos:

“Esta marca plantou árvores em Reserva Ecológica Nacional.”

E nada mais.

Greenwashing: o que rejeitamos, por princípio:

Greenwashing não é apenas uma estratégia errada — é uma forma de

desinformação ambiental que prejudica:

-consumidores, ao criar falsas perceções de impacto;

-empresas honestas, ao desvalorizar esforços reais;

-a sociedade, ao atrasar mudanças estruturais profundas;

-o ambiente, ao mascarar impactos reais com retórica verde.

A Floresta Amiga existe precisamente para não ser greenwashing.

Cada árvore é plantada fisicamente, no território nacional, com

responsabilidade, transparência e compromisso.

O nosso selo não promete “neutralidade carbónica”.

Não promete “sustentabilidade”.

Não promete o que não podemos garantir.

Promete apenas isto — e cumpre:

Plantamos árvores. Em reservas. Aqui. Em Portugal. Com impacto real.

E a Floresta Amiga escolhe caminhar esse caminho com verdade, humildade e

ação concreta.

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