A obra (Re)leituras da Obra
Camiliana foi apresentada publicamente, no passado sábado, na Biblioteca
Municipal de Fafe. Este projeto, construído com uma uma peça de teatro, textos
de análise da obra e dos personagens e produção criativa a partir da leitura de
diferentes obras camilianas, foi coordenado pelos Professores Pedro Sousa e
Carlos Afonso.
A sessão abriu com a participação
musical de Ana Rita Lopes e Érica Ribeiro Mota, alunas de Literatura
Portuguesa, mas também do ensino artístico, o que permitiu criar um ambiente
delicodoce numa tarde fria e chuvosa. Beatriz Costa, em representação do CLUB
ALFA, saudando os presentes, autêntica ‘o privilégio estarmos aqui reunidos,
num espaço onde o esforço dos alunos se transforma em arte, reflexão e
partilha.’ E acrescenta que ‘num tempo em que tudo parece fugaz, a literatura
continua a ser um território fértil, onde as ideias florescem e as ideias se
encontram. Nestes projetos, a sala de aula alarga-se: deixa de ter quatro
paredes para passar a ter horizontes. Os alunos descobrem-se criadores de
sentidos, de mundos possíveis, de visões que interrogam o presente e iluminam o
futuro.’
Nas palavras do Professor Pedro
Sousa, foi possível perceber a dinâmica do projeto, o seu enquadramento nas
Comemorações dos 200 anos do nascimento de Camilo Castelo Branco, onde a escola
se envolveu na comunidade civil e construiu uma peça inspirada em Camilo
Castelo Branco e na sua obra O Morgado de Fafe em Lisboa, sendo que desta vez
foi o Morgado a convidar os lisboetas a visitar Fafe, tendo como marca
preponderante recebê-los com pompa e circunstância, uma característica tão
genuinamente minhota. Após o sucesso da peça, era importante registar e
engrandecer o momento com o juntar dos textos e surge a parceria com o CLUB
ALFA que agarra a ideia e a integra no seu projeto pedagógico na rúbrica
‘publicações alfa’. Nesta parceria, nasce a obra completamente construída com o
trabalho dos alunos de literatura portuguesa e a colaboração de duas alunas de
artes, orientadas pelo professor Óscar, que desenharam a capa, Gabriela
Ribeiro, e a contracapa, Sofia Ferreira.
A análise concretamente da obra ficou ao encargo das alunas Maria João Cunha e Adriana Teixeira, a primeira que representara o próprio Camilo e a Baronesa e a segunda que incorporou o Morgado de Fafe na peça. Maria João Cunha, numa análise exaustiva e rica em conteúdo literário, a todo o processo criativo, deixa uma mensagem aos presentes como reflexão: «’O Regresso do Morgado a Fafe’ é muito mais do que uma peça de teatro ou um livro. É a prova de que a literatura não pertence apenas ao passado, nem aos manuais escolares. Camilo continua atual porque os temas que abordou, a hipocrisia social, a corrupção política, a obsessão com aparências, permanecem presentes na sociedade contemporânea. Este projeto vive em nós, somos nós os seus guardiões e reinventares. Cabe às novas gerações cultivá-la e transformá-la.» Adriana Teixeira focou a sua intervenção na análise da sua personagem na peça, o Morgado de Fafe, mas que agora está em Fafe e é um verdadeiro anfitrião, ainda que nunca abandone o seu lado tosco, que tanto o caracteriza na obra camiliana, mas sabe receber como ninguém, o que fará as delícias dos seus convidados e deixa caída de amores Leucádia, a filha do Barão e da Baronesa.
A terceira parte do evento
iniciou com a leitura de um conto presente na obra, da autoria do aluno Filipe
Teixeira, seguindo-se o elogio a todo este processo construtivo, por parte do
Professor Carlos Afonso, onde destaca o papel da Escola, nomeadamente a aposta
da própria Direção em apoiar os eventos culturais e artísticos que permitem aos
jovens investigar, experimentar, representar e sonhar com novos mundos e criar
novos horizontes. Natália Correia, Diretora do Agrupamento de Escolas de Fafe,
enalteceu a parceria com o CLUB ALFA e mostrou o seu contentamento em ver este
e outros projetos que permitem precisamente aumentar o conhecimento e percurso
dos jovens alunos, mostrando que está sempre disponível para apoiar tudo o que
possa engrandecer a formação científica e humana dos alunos que representa,
deixando também uma palavra de apreço aos mentores e seus colegas, Carlos
Afonso e Pedro Sousa, pela forma como envolvem os alunos, porque a Escola tem
mais funções do que apenas as aprendizagens na sala de aula. O encerramento da
sessão coube à Dra. Sara Henriques, em representação da Vereadora da Cultura,
tendo mostrado o seu contentamento em participar num evento de grandeza
cultural que envolve os jovens alunos e que representa um crescimento literário
na produção artística em Fafe.





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