segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Alunos da Escola Secundária de Fafe lançam obra literária (Re)leituras da Obra Camiliana

 


A obra (Re)leituras da Obra Camiliana foi apresentada publicamente, no passado sábado, na Biblioteca Municipal de Fafe. Este projeto, construído com uma uma peça de teatro, textos de análise da obra e dos personagens e produção criativa a partir da leitura de diferentes obras camilianas, foi coordenado pelos Professores Pedro Sousa e Carlos Afonso.

A sessão abriu com a participação musical de Ana Rita Lopes e Érica Ribeiro Mota, alunas de Literatura Portuguesa, mas também do ensino artístico, o que permitiu criar um ambiente delicodoce numa tarde fria e chuvosa. Beatriz Costa, em representação do CLUB ALFA, saudando os presentes, autêntica ‘o privilégio estarmos aqui reunidos, num espaço onde o esforço dos alunos se transforma em arte, reflexão e partilha.’ E acrescenta que ‘num tempo em que tudo parece fugaz, a literatura continua a ser um território fértil, onde as ideias florescem e as ideias se encontram. Nestes projetos, a sala de aula alarga-se: deixa de ter quatro paredes para passar a ter horizontes. Os alunos descobrem-se criadores de sentidos, de mundos possíveis, de visões que interrogam o presente e iluminam o futuro.’



Nas palavras do Professor Pedro Sousa, foi possível perceber a dinâmica do projeto, o seu enquadramento nas Comemorações dos 200 anos do nascimento de Camilo Castelo Branco, onde a escola se envolveu na comunidade civil e construiu uma peça inspirada em Camilo Castelo Branco e na sua obra O Morgado de Fafe em Lisboa, sendo que desta vez foi o Morgado a convidar os lisboetas a visitar Fafe, tendo como marca preponderante recebê-los com pompa e circunstância, uma característica tão genuinamente minhota. Após o sucesso da peça, era importante registar e engrandecer o momento com o juntar dos textos e surge a parceria com o CLUB ALFA que agarra a ideia e a integra no seu projeto pedagógico na rúbrica ‘publicações alfa’. Nesta parceria, nasce a obra completamente construída com o trabalho dos alunos de literatura portuguesa e a colaboração de duas alunas de artes, orientadas pelo professor Óscar, que desenharam a capa, Gabriela Ribeiro, e a contracapa, Sofia Ferreira.

A análise concretamente da obra ficou ao encargo das alunas Maria João Cunha e Adriana Teixeira, a primeira que representara o próprio Camilo e a Baronesa e a segunda que incorporou o Morgado de Fafe na peça. Maria João Cunha, numa análise exaustiva e rica em conteúdo literário, a todo o processo criativo, deixa uma mensagem aos presentes como reflexão: «’O Regresso do Morgado a Fafe’ é muito mais do que uma peça de teatro ou um livro. É a prova de que a literatura não pertence apenas ao passado, nem aos manuais escolares. Camilo continua atual porque os temas que abordou, a hipocrisia social, a corrupção política, a obsessão com aparências, permanecem presentes na sociedade contemporânea. Este projeto vive em nós, somos nós os seus guardiões e reinventares. Cabe às novas gerações cultivá-la e transformá-la.» Adriana Teixeira focou a sua intervenção na análise da sua personagem na peça, o Morgado de Fafe, mas que agora está em Fafe e é um verdadeiro anfitrião, ainda que nunca abandone o seu lado tosco, que tanto o caracteriza na obra camiliana, mas sabe receber como ninguém, o que fará as delícias dos seus convidados e deixa caída de amores Leucádia, a filha do Barão e da Baronesa.



A terceira parte do evento iniciou com a leitura de um conto presente na obra, da autoria do aluno Filipe Teixeira, seguindo-se o elogio a todo este processo construtivo, por parte do Professor Carlos Afonso, onde destaca o papel da Escola, nomeadamente a aposta da própria Direção em apoiar os eventos culturais e artísticos que permitem aos jovens investigar, experimentar, representar e sonhar com novos mundos e criar novos horizontes. Natália Correia, Diretora do Agrupamento de Escolas de Fafe, enalteceu a parceria com o CLUB ALFA e mostrou o seu contentamento em ver este e outros projetos que permitem precisamente aumentar o conhecimento e percurso dos jovens alunos, mostrando que está sempre disponível para apoiar tudo o que possa engrandecer a formação científica e humana dos alunos que representa, deixando também uma palavra de apreço aos mentores e seus colegas, Carlos Afonso e Pedro Sousa, pela forma como envolvem os alunos, porque a Escola tem mais funções do que apenas as aprendizagens na sala de aula. O encerramento da sessão coube à Dra. Sara Henriques, em representação da Vereadora da Cultura, tendo mostrado o seu contentamento em participar num evento de grandeza cultural que envolve os jovens alunos e que representa um crescimento literário na produção artística em Fafe.

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