Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Municipal
Exmo. Sr. Presidente da Câmara
Exmos. Srs. Vereadores
Exmos. Srs. Representantes das Instituições Militares, Civis e
Religiosas
Exmos. Srs. Representantes dos Partidos Políticos
Exmos. Srs. Presidentes das Juntas de Freguesia
Exmo. Público
Aqui estamos, “a construir o dia inicial inteiro e limpo, onde
emergimos da noite e do silêncio.”
Aqui estamos,
não somente a celebrar este passado, em que o povo que resistia se
ergueu heroicamente e pôs fim a 48 anos de profunda opressão, em que entre
mortos e presos, abusos e censura, vimos um país condenado à pobreza, ao
analfabetismo, ao medo, à desconfiança do próximo,
onde se semeava um falso moralismo sobre o outro e o seu modo de vida.
À submissão total da mulher face ao homem.
Onde se condenava um povo a matar outro povo, numa guerra onde todos
perdiam, e em que a diferença do tom da pele desvanecia à medida que se
evidenciava a igualdade na cor do sangue.
Aqui estamos,
Prontos a garantir que o passado não é esquecido, que o passado não é
mudado, nem aligeirado.
Era de facto uma “ditabranda”: para os grandes latifundiários, para os
grupos monopolistas, para os Mellos,
Champalimauds e Espíritos Santos.
Mas era uma ditadura, muito dura,
para as mulheres, que nunca foram livres, para as crianças, que nunca o puderam
ser, para os homens, que nunca puderam ser crianças.
Com a profunda convicção que Abril
tem muito futuro pela frente!
Futuro que passa pela adoção de
uma política de valorização salarial, pela valorização da Escola Pública, do
Serviço Nacional de Saúde, dos serviços públicos de qualidade e ao serviço da
população.
Prontos para travar este Pacote Laboral, que traduz nas suas intenções, os
valores anticonstitucionais. O atual governo quer assim, garantir a perpetuação
da ditadura dos baixos salários.
Pacote Laboral que empobrece quem trabalha, que expande a precariedade e instabilidade laboral.
Derrubar este pacote é defender Abril e o seu futuro!
Mobilizar os trabalhadores para a luta pelas 35 horas, pelo direito à família,
ao lazer e ao descanso, é uma luta pelo Projeto de Abril!
Aqui estamos, a construir Abril.
Olhamos para a nossa revolução,
não como um processo acabado, mas como uma luta constante, para o qual se
convoca toda a população. Onde todos são figuras históricas de um futuro que se
está a escrever.
Defende-se a Constituição afirmando a sua importância e validade.
Constituição, que, sendo uma emanação do processo revolucionário que aqui
celebramos e da luta do nosso povo, fazendo 50 anos, mantém-se atual, “jovem” e
progressista.
A Juventude quer um futuro!
Quer que todos vivam em
casas condignas, de dimensão adequada com condições de higiene e conforto, num
país que respeita e ordena o seu território e trata os solos como um bem
escasso e demasiado precioso para poder ficar à mercê dos interesses sempre impiedosos
dos poderosos. Cumpra-se o artigo 65 da Constituição da República! Faça-se
frente ao negócio do imobiliário!
Mais do que cerimónias e palavras, o que é
preciso é cumprir-se Abril e cumprir-se a Constituição!
Este é o projeto que carrega em si um horizonte de esperança pela qual
vale a pena lutar, um antídoto contra múmias e vampiros, saudosos doutros
tempos.
Em Fafe, a nossa cidade, também ela cidade de abril. Onde a justiça
popular se funde e confunde com a revolução do nosso povo.
Fafe, Terra de Resistência, mas onde aqueles que usando o cravo ao
peito, celebrando abril nas ruas, construindo cravos humanos, gigantes,
acorrentam depois, no dia a dia, a contratos precários as trabalhadoras das
cantinas, para quem a estabilidade, a progressão na carreira, o
reconhecimento salarial, são puras miragens.
Falemos de números: e indigno que, numa escola onde todos cumprem 35
horas, as trabalhadora das cantinas recebam, por essas mesmas 35
horas semanais, apenas 716€ líquidos.
Os eleitos na Assembleia Municipal de Fafe não podem disto lavar
as suas mãos! Esta disparidade não é um acaso, é uma opção.
A Câmara e os seus eleitos não são apenas coniventes, são os arquitetos
que prolongam este modelo brutalmente desigual.
Aqui estamos,
Como um Partido profundamente comprometido com os valores de Abril e da
sua Constituição.
Erguemos a nossa voz em defesa dos feirantes que, face às intempéries,
estiveram dois meses sem conseguir trabalhar.
Apesar da rejeição da nossa proposta na Assembleia, foram ouvidas as
suas justas intenções.
Assim, com a imprescindível ação do PCP, os feirantes conseguiram um
importante apoio, num momento de especial dificuldade.
Erguemos a nossa voz para exigir a garantia que não haverá um
despedimento coletivo aos trabalhadores da Intelcia.
Não confundamos,
Não é Abril, mas sim a política da contra-revolução que é
responsável pelos problemas que enfrenta o nosso povo: pelos baixos salários e
baixas reformas, pelo empobrecimento de largas camadas da
população, pela precariedade laboral que subsiste,
pela exploração e desigualdades sociais, pela destruição das
funções sociais do Estado.
Lutamos por Abril!
Pela municipalização dos serviços municipais de limpeza urbana.
Pela municipalização das cantinas escolares,
pelo regresso do cinema, pela linha de comboio, por transportes
públicos de qualidade, pelo aumento da Cantina da Escola Secundária,
pela construção e recuperação de pavilhões escolares que garantam a
prática desportiva.
Pela construção das novas Piscinas Municipais.
Pela construção de um hospital público para Fafe.
Por uma cidade verde ao serviço da sua população.
Erguemos e ergueremos a nossa voz,
Isso sim é respeitar e cumprir Abril.
Com profunda esperança no Futuro, damos continuação à luta por abril,
por aqui continuaremos a plantar cravos.
Aqui estamos,
Prontos a dar corpo e voz aos nossos sonhos.
Prontos a enfrentar os inimigos da revolução,
Prontos para a construção do Novo, do Justo do emancipador.
Viva o 25 de Abril,
Viva a nossa Constituição,
Viva o Povo de Fafe,
Viva Portugal!
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