A Escola da Feira Velha era
uma das cinco Escolas Primárias construídas pelo Estado Novo no Concelho de
Fafe.
O modelo “Minhoto em pedra”
com dois andares e três salas de aula conferia-lhe alguma exclusividade na
região, correspondendo a um exemplar único no concelho de Fafe.
Inaugurada em 1940, a Escola
da Feira Velha cumpriu a sua função, no âmbito do ensino básico durante
sessenta e oito anos.
Em 1936 o Ministério
das Obras Públicas, através da Direcção Geral dos Monumentos Nacionais,
atribuiu uma verba de vinte mil escudos (20.000$00) para a construção de um
edifício escolar “Tipo Alto Minho” com três salas. A Câmara Municipal da época,
liderada pelo médico fafense António Martins de Freitas, deliberou edificar a
nova escola na então Praça da República, actual Praça Mártires do Fascismo
(Feira Velha).
A tutela exigia um
mínimo de 1250 m2, incluindo o logradouro nas traseiras. Relativamente à
vedação do edifício não houve qualquer comparticipação do Estado. Ela foi
concretizada, anos depois, a expensas da Câmara Municipal.
Escolhido o local,
“amplo e arborizado”, a obra foi entregue à Empresa Industrial de Fafe, que
tinha também secções de marcenaria, carpintaria e serralharia.
A inauguração da Escola da Feira Velha, assim como de outros equipamentos subsidiados pelo Estado Novo, aconteceu em 1940, em plenas comemorações dos centenários, integradas no programa das “Festas da Vila de Fafe da Senhora de Antime”.
Foi no dia 15 de
Julho daquele ano que uma multidão assistiu à inauguração do melhoramento. O
jornal “O Desforço” descreve assim o “grande acontecimento”:
«
…Depois o edifício escolar da Praça da Republica, onde as crianças, num como
que Orfeão, entoam com vozes sãs e muito bem, sob a regência de José Maciel, os
hinos da Mocidade, da Restauração, e Nacional. O Snr. Sub-Secretário apreciou e
teve a oferta de um lindo ramo de cravos, que uma criança lhe entregou,
agradecendo-lhe e felicitando no final o snr.
José Maciel pela boa regência. Os miúdos, que tão bem se houviram, teem
aplausos.
Organiza-se
novamente o cortejo em que tomam parte milhares de crianças que empunham
bandeiras da Fundação e da Restauração, o que lhe dá uma graça especial…»
A Escola da Feira
Velha, uma das mais emblemáticas da Vila promovida a cidade, que durante
sessenta e oito anos assistiu à passagem de milhares de crianças em início de
aprendizagem, sucumbiu em Agosto de 2008. Foi mandado demolir, pela Câmara
Municipal, um belo edifício Histórico que deveria ter sido conservado e valorizado.
Independentemente do seu valor arquitetónico que consideramos relevante, o finado estabelecimento de ensino foi uma das primeiras Escolas públicas da antiga Vila de Fafe. Por lá passaram milhares de fafenses que ali iniciaram a sua aprendizagem. Mais do que um Monumento Histórico da Idade Moderna, a Escola da Feira Velha representou um raro nicho de afectos, originando amizades e consolidando relações humanas que ainda hoje se mantêm.
Aquela simpática Escola
assistiu à formação cívica de inúmeros fafenses que, de forma passiva viram
sucumbir os seus alicerces culturais sob o impiedoso camartelo… em pleno mês de
Agosto, quando a maioria das pessoas gozavam as suas férias; incluindo os
periódicos locais da altura.
CANTARIA FOI REAPROVEITADA
NA CONSTRUÇÃO DE UMA CAPELA
A pedra resultante da
demolição da Escola da Feira Velha, foi alegadamente negociada pela empresa que
procedeu à demolição que a disponibilizou para venda.
Por 2012, um particular
adquiriu uma parte da cantaria, incluindo o robusto pórtico da antiga Escola,
reaproveitando-a na construção de uma capela particular.
O pequeno templo, localizado
na Quinta das Flores, Rua da Pica de Além, da freguesia de S. Gens, foi
consagrado à Senhora dos Milagres e “encontra-se aberto ao culto, constituindo um
ponto de romagem das gentes da terra”.
Fica a memória de uma velha Escola, de um monumento raro na região, que foi desmantelado e, talvez por “milagre”, conservou as suas pedras numa capela dentro de território fafense... dizem, "com interior do estilo barroco".
Jesus Martinho
MEMÓRIA FOTOGRÁFICA DA DEMOLIÇÃO
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